Para Pignanelli, Duhalde e FMI devem assinar acordo em agosto

O governo de Eduardo Duhalde e o Fundo Monetário Internacional (FMI) podem assinar um acordo já no próximo mês para tirar a economia argentina da crise que se encontra. Essa é a estimativa do presidente do Banco Central da Argentina, Aldo Pignanelli, depois de uma série de reuniões com o diretor do Fundo, Horst Köhler, e com autoridades do Fed (banco central norte-americano), nos últimos dois dias na cidade suíça da Basiléia.Segundo o argentino, ficou acordado que o FMI enviará mais uma missão ao país no dia 22 de julho e que será debatido a renovação das dívidas que vencem ainda neste ano no valor de US$ 9 bilhões. Além disso, a Argentina espera conseguir recuperar US$ 2,5 bilhões que foram pagos pelo governo às instituições financeiras multilaterais durante 2002. Os obstáculos, porém, não são poucos para que o governo Duhalde consiga, finalmente, um acordo com o FMI. O próprio presidente do Banco Central argentino reconhece que terá que convencer o Fundo sobre a sustentabilidade do programa monetário e sobre a questão fiscal das províncias. "Até agora, 70% das províncias já aceitaram o acordo e fui informado que na quarta-feira será a vez de Santa Fé assinar o convênio", garantiu Pignanelli. Na avaliação do presidente do banco central do México, Guillermo Ortiz, parte do problema vivido pela Argentina é a falta de um acordo político entre os grupos locais. "A base dos problemas fiscais é a falta de um acordo político", afirmou. "O FMI deve dar apoio aos países, mas é necessário que se reconheça que a responsabilidade maior está com os governos", disse o mexicano. Segundo Ortiz, "a solução para a Argentina não é um financiamento imediato por parte do Fundo, mas a reconstrução do entorno político e econômico para que o país volte a funcionar". Outro fator que pode complicar a assinatura do acordo são as eleições programadas para março de 2003. Pignanelli garante, porém, que todos os partidos políticos da Argentina concordam com o acordo. "Os únicos que são contrário são os políticos de esquerda, mas que não tem grande influência", afirmou o argentino. Apesar das dificuldades, Pignanelli garante que irá conseguir um acordo. "Não quero nem pensar na hipótese de não ter um acordo", disse, lembrando que a queda do PIB argentino neste ano será de 12%. Segundo ele, o país não necessitará criar novas medidas para conseguir o apoio da instituição financeira. "O que temos que fazer é fortalecer as iniciativas já tomadas, como a restruturação do sistema bancário argentino", explicou o presidente do BC argentino. Como parte dessa estratégia de fortalecimento das iniciativas do atual governo, Pignanelli confirmou que, nos próximos dias, o Banco Mundial irá enviar a Buenos Aires uma equipe formada por oito técnicos para avaliar um acordo de capitalização bancária. Segundo ele, o Banco Mundial forneceria US$ 2 bilhões ao país, que se somariam a outros US$ 2 bilhões em linhas de crédito do BID e outros 9 bilhões de pesos em bonos compensatórios do próprio governo argentino. "Isso seria suficiente para restruturar o sistema", completou.

Agencia Estado,

08 de julho de 2002 | 15h10

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