Para Positivo, mercado de PCs voltou ao ritmo pré-crise

Em agosto, pela primeira vez, vendas da empresa aos mesmos clientes superaram as de 2008

Renato Cruz, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

A fábrica da Positivo Informática, em Curitiba, emprega cerca de 4,5 mil funcionários, divididos em três turnos de trabalho. São três linhas de montagem de computadores de mesa e três de notebook. Por hora, cada montador fabrica em média quatro desktops ou três notebooks, que dão mais trabalho que os computadores de mesa. São despachadas da fábrica cerca de 8 mil máquinas por dia.

Para Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, maior fabricante de PCs do Brasil, a crise já ficou para trás. "O mercado começa a crescer", disse o executivo. Ele disse que agosto foi o primeiro mês a registrar crescimento das vendas, levando-se em conta os mesmos clientes que haviam comprado da Positivo no mesmo mês de 2008. A alta foi de 2%. "Os dois primeiros meses deste ano foram muito ruins", explicou Rotenberg. "Em algumas semanas de janeiro, a queda havia sido de 30%."

Segundo Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data, o mercado de PCs tem melhorado mês a mês. "Julho foi o melhor mês do ano", disse Rodrigues. "Ainda não fechei os números de agosto. As vendas já estão se aproximando de 1 milhão de unidades por mês, como em 2008." Apesar disso, 2009 ainda está abaixo do ano passado, mesmo nas comparações mensais.

Esta semana, a Positivo anunciou um aumento de sua capacidade produtiva até o fim deste ano, com investimento de R$ 10 milhões. A capacidade de produção mensal de PCs será aumentada de 240 mil para 330 mil unidades, e a de placas-mãe, de 94 mil para 127 mil.

PICO

Com isso, a empresa já se prepara para o Natal. "Novembro é o mês de pico para a gente", afirmou Rotenberg. "Acredito que essa ampliação consiga atender o crescimento da demanda por mais dois anos. Ano que vem será o momento de ampliação do prédio. Não existe mais para onde a fábrica crescer."

A Positivo conseguiu ganhar participação de mercado durante a crise. No segundo trimestre, a participação de mercado da empresa avançou 2,6 pontos porcentuais, chegando a 16,5%. Em parte, isso reflete as dificuldades enfrentadas por competidores menores, que ficaram descapitalizados e reduziram a produção.

"Muita gente sofreu com a crise", disse Rotenberg. "Porque fizemos a nossa abertura de capital num bom momento, não tivemos problema financeiro no fim do ano. Mas agora os concorrentes já estão de volta." Ele explicou que muitos varejistas menores, que não costumavam comprar muito da Positivo, acabaram procurando a empresa, porque os outros fabricantes com que trabalhavam não conseguiam entregar os produtos.

Quando o conselho de administração da Positivo aprovou a ampliação da fábrica, também deu o sinal verde para um financiamento de capital de giro de R$ 200 milhões, dentro do Programa Especial de Crédito (PEC) do BNDES. Segundo Rotenberg, o crédito já está aprovado, mas a empresa ainda não decidiu quando usá-lo.

CONTRATO

Mas, segundo Rotenberg, isso não significa que aPositivo esteja precisando de dinheiro. "Não temos necessidade de caixa", disse, acrescentando que a empresa tem um pedido grande do governo, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para ser entregue este ano. "O prazo de recebimento é longo, pode ultrapassar 120 dias." Para atender a esse contrato, a empresa pode recorrer ao crédito.

A empresa preparou o maior lançamento de produtos de sua história para outubro, quando chega ao mercado o Windows 7, novo sistema operacional da Microsoft. São oito linhas de produtos, que englobam notebooks, netbooks (portáteis ainda menores) e modelos "tudo em um" - desktops em que o computador é integrado ao monitor, numa só peça. O modelo mais barato do "tudo em um" custará por volta de R$ 1,2 mil.

"Queremos levar esse produto à classe C", disse Rotenberg. Ele apontou que a presença do computador na classe C está em 25%, comparados a 94% na classe A.

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