Para Pratini, próximo governo deveria priorizar reforma tributária

O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse hoje que a reforma tributária deveria ser uma prioridade absoluta do próximo governo, já que o atual tentou e não conseguiu. "Enquanto existirem impostos em cascata, será difícil aumentar as exportações e fazer negociações comercias (com outros países ou blocos econômicos) internacionais para reduzir tarifas", afirmou o ministro, que participou do lançamento da marca Brazilian Footwear/Calzado de Brasil/Calçado do Brasil, na Francal 2002, no Parque Anhembi em São Paulo.Para Pratini, essa deveria ser a primeira tarefa do próximo governo. "Precisamos simplificar e descongestionar o sistema tributário", acrescentou. O ministro, que se caracterizou em fazer duros ataques contra os subsídios agrícolas praticados pela União Européia e os Estados Unidos durante a sua gestão no governo FHC, afirmou ainda que não se pode falar em maior abertura de mercado em um país que tem impostos em cascata."Enquanto não resolvermos isso, não podemos abrir um milímetro sequer a nossa economia. Já abrimos demais", afirmou o ministro. Pratini, um assíduo defensor da competitividade do setor de agribusiness brasileiro, disse ainda que o dólar em uma país pobre tem de ser caro. "Repetidas vezes afirmei que era mais barato passar férias em Miami do que no Brasil", disse ao comentar sobre o encarecimento da moeda norte-americana nas últimas semanas. Para Pratini, a taxa de câmbio não pode estar em patamar que estimule as importação, mas tampouco em outro que prejudique as exportações. "Tem de estar equilibrado."Depois de fazer algumas críticas ao setor calçadista, que, segundo ele, teria se acomodado, o ministro lembrou que o setor privado brasileiro precisa ser mais ativo para conquistar mais espaço no mercado internacional e ser mais confiante na "economia real" do País. "É necessário desconfiar mais dos analistas de plantão que ficam rebaixando notas (classificação de risco) e dos políticos que se especializaram em falar mal do Brasil", disse para empresários do setor calçadista que participam da Francal 2002. "Analistas querem transformar tudo em tragédia."Ao se referir à recente proposta de reforma da Política Agrícola Comum, aprovada pela Comissão Européia na semana passada, Pratini disse que será muito bom para o Brasil. "Temos interesse em ampliar nossas exportações ao mercado europeu", afirmou. Na próxima semana, no Rio de janeiro, o ministro participará da reunião ministerial entre o Mercosul e a União Européia. "Acho que é possível avançar e relançar as negociações comerciais. Mas acredito que não será completa", afirmou.

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