Para presidente do Fed de NY, tirar dinheiro do Brasil é estupidez

O presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, William McDonough, afirmou ontem que reduzir a exposição ao Brasil por causa da provável eleição de Luiz Inácio Lula da Silva é "estúpido". Para ele, seria "tolice" os investidores retirarem capital do Brasil porque os eleitores do País "escolhem um líder que é comprometido com a justiça social". "As pessoas no Brasil estão mostrando confiança, ao manter seus investimentos e depósitos bancários, e os investidores estrangeiros deveriam fazer o mesmo", disse McDonough, durante conferência da New America Alliance, em Nova York. "Pessoas responsáveis em posições de responsabilidade deveriam assumir essa atitude", acrescentou. McDonough pediu aos investidores que sejam pacientes com o Brasil nas semanas que vão se seguir às eleições presidenciais. Segundo ele, todas as pesquisas de opinião no Brasil dão como vencedor o candidato do PT. O presidente do Fed nova-iorquino também advertiu a um grupo de líderes empresariais hispano-americanos que, se os investidores decidirem desfazer-se de ativos brasileiros em caso da vitória de Lula, o contágio poderia se espalhar e chegar aos demais países da região. E incentivou os dirigentes empresariais a utilizarem toda a sua influência para ajudar a preservar a "estabilidade em nosso hemisfério". "Se as pessoas são idiotas e começam a dizer ´vamos reduzir nossa exposição ao Brasil´, não vai funcionar. Nenhum país pode suportar uma fuga de capitais, incluindo este país", disse McDonough, em referência aos Estados Unidos. O Brasil tem passado por uma aguda crise de confiança nos mercados, que se mostraram contrariados com a idéia de ver Lula na Presidência, com eventuais mudanças nas políticas econômicas do País. Porém, o candidato e o seu partido, o PT, têm feito grandes esforços durante a campanha para cortejar os mercados e a comunidade empresarial, e já prometeram aplicar políticas fiscais saudáveis e respeitar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo qual o País obteve um empréstimo de US$ 30 bilhões. "Há muito choro, ranger de dentes e sobressaltos, além de muita tolice de gente neste país (nos EUA) e em outros países desenvolvidos diante do que poderia ocorrer se os brasileiros decidirem, democraticamente, ter um presidente que acredita um pouco mais na justiça social", afirmou McDonough.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2002 | 10h12

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