Leda Abuhab
Leda Abuhab

Para presidente do Itaú, reforma da Previdência terá de ser prioridade do governo Bolsonaro

Presidente do Itaú mencionou ainda a necessidade de o Brasil fazer mais reformas para ir além e elevar sua produtividade

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 10h51

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou nesta terça-feira, 30, que o equilíbrio das contas públicas é um desafio importantíssimo para o novo governo e fundamental para retomar a confiança dos investidores estrangeiros. "O resultado das urnas expressa a vontade soberana do povo brasileiro. As eleições foram as mais acirradas no período recente, mas permitiram discussões relevantes", disse, em teleconferência com a imprensa, nesta manhã.

Segundo Bracher, passadas as eleições, é preciso se voltar a um novo Brasil em torno de objetivos comuns, aproveitando-se das fortalezas do País e da sua diversidade, característica do povo brasileiro. "Temos muitos desafios pela frente e que demandam um grande esforço de conciliação nacional e participação de toda sociedade", acrescentou Bracher.

Além do equilíbrio das contas públicas, o presidente do Itaú mencionou ainda a necessidade de o Brasil fazer mais reformas para ir além e elevar sua produtividade. Segundo ele, são necessárias as reformas política, tributária e ainda a revisão de políticas públicas na área de educação, com foco na equidade.

Para o executivo, a aprovação ainda neste ano da reforma da Previdência, mesmo que seja no modelo atual proposto pelo governo de Michel Temer, seria bem recebida pelo mercado. "Seria bom, um ótimo sinal", avaliou.

A reforma da Previdência, segundo ele, é a medida mais importante a ser tocada pelo novo governo. O presidente do Itaú destacou, contudo, que se o País ficar apenas no ajuste da aposentadoria, corre o risco de entregar um "crescimento medíocre".

Na lista das principais medidas que o novo governo deve priorizar, de acordo com Bracher, além da reforma da previdência, estão mudanças na educação, focando na igualdade, permitindo que os jovens tenham as mesmas possibilidades. Segundo ele, o investimento do Brasil em educação está "muito aquém" do visto em países com características semelhantes. Bracher mencionou ainda a importância de o novo governo emplacar a reforma política.

“Os jovens terem as mesmas possibilidades em termos de educação deve ser o sonho e o objetivo de qualquer governo. É muito importante fazer uma reforma política que possibilite uma melhor representatividade da sociedade no Congresso, permitindo a formação de coalizões para aprovar reformas importantes", acrescentou o presidente do Itaú.

O executivo disse também considerar saudável o País utilizar parte dos US$ 380 bilhões que possui em reservas internacionais para amortizar sua dívida. "As reservas cambiais rendem 1,5% ao ano, que é a taxa dólar, enquanto a dívida tem 6,5% ao ano de custo. É saudável usar parte das reservas para amortizar dívida porque tem impacto fiscal positivo. Temos US$ 380 bilhões de reservas e possivelmente não necessitamos de tanto assim fazer frente às oscilações do câmbio", disse. Segundo noticiou o jornal Valor Econômico, o plano de usar parte das reservas cambiais para reduzir a dívida pública está em discussão dentro da equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O executivo destacou, contudo, a importância de usar as reservas internacionais para amortização da dívida de forma gradual, para evitar oscilações no câmbio. "É importante ver como fazer isso. Não se pode pegar as reservas e lançá-las de uma vez, pois geraria grande oscilação no câmbio", alertou Bracher, lembrando que o bom volume de reservas, principalmente, nos últimos meses, diferenciou o Brasil de países que enfrentaram crise cambial como, por exemplo, Turquia e Argentina.

Na visão do presidente do Itaú, é preciso ainda qualificar o uso das reformas internacionais. "Ouvimos muitas coisas ao longo da campanha (presidencial). Pessoas falaram em mexer nas reservas para investir de diversas maneiras. Isso não faz sentido", ressaltou ele, acrescentando que as reservas internacionais são uma poupança do País.

Para Bracher, usar as reservas internacionais para investimento significa gastar poupança. "O País não está em condições de gastar poupança. Precisa, ao contrário, poupar mais", alertou.

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