Para professor, investir em private equity exige cautela

O mercado de private equity pode multiplicar os valores aplicados pelos investidores. Entretanto, é preciso ter cautela ao se analisar os números do setor. Embora os gestores falem em ganhos astronômicos, o diretor do Centro de Estudos em Private Equity (Cepe), da FGV, Cláudio Furtado, afirma que se trata de um negócio de risco, que depende do resultado da empresa que recebeu o investimento.

, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

Segundo Furtado, números do mercado americano mostram que é mais fácil perder do que ganhar dinheiro no setor: 67% dos investidores em fundos de private equity nos Estados Unidos não conseguem recuperar o capital investido depois de cinco anos, enquanto outros 20% perdem todo o valor aplicado. Sobra uma parcela de 13% de "sortudos" que consegue obter lucro.

O diretor do Cepe afirma que os investidores que optam por empresas de pequeno porte se arriscam mais, embora os valores comprometidos nesses casos sejam inferiores. Na opinião do especialista, um diferencial do mercado brasileiro é que ainda existem oportunidades em médias empresas de perfil sólido, onde o risco é menor.

Mas a prática evidencia que nem sempre o casamento entre um negócio em expansão e um fundo de private equity é feliz. Um caso emblemático recente é a rede de serviços odontológicos Imbra, que causou prejuízo de US$ 140 milhões à GP Investimentos. A administradora de recursos entregou o negócio ao grupo Arbeit por US$ 1 - e com a promessa de conceder empréstimos de R$ 40 milhões. Mesmo assim, a empresa enfrenta dificuldades: no início deste mês, clínicas fecharam as portas após atrasar o salário dos funcionários.

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