Para professor, juro baixo e gasto público sustentam EUA

A combinação dos juros de referência mais baixos dos últimos 40 anos com uma ativa política de gastos públicos está evitando que a crise financeira americana contamine a economia real. A avaliação é do professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Eduardo P. Souza. Além disso, a desvalorização do dólar frente ao euro e ao iene incentiva as exportações e a troca de importações nos Estados Unidos.Segundo o especialista em economia internacional, a política "fortemente expansionista" praticada pelos Estados Unidos tem sido fundamental para conter efeitos recessivos que podem resultar da quebra de confiança de investidores com relação às grandes corporações. "Até junho houve um descolamento entre o lado real e o financeiro. Resta ver se, com os fatos do fim de semana para cá, isto vai continuar assim", disse o professor.No último domingo, a WorldCom admitiu o pedido de concordata. No dia seguinte, o Dow Jones, principal índice de mercado, fechou abaixo de 8 mil pontos, pela primeira vez desde 1998. Segundo o economista, os índices das bolsas vêm despencando desde março, quando registraram o melhor desempenho desde os atentados de 11 de setembro. Em contraposição a isto, indicadores mostram avanço no comércio varejista (1,1% em junho) e na atividade do setor industrial, que avançou pela quinta vez consecutiva em junho.Franciso Eduardo reconhece, contudo, que o consumo das famílias pode ser afetado pela queda do valor das ações, decorrente da seqüência de revelações sobre fraudes em grandes companhias americanas. "O impacto da crise financeira é muito grande. Mas isso não irá necessariamente acontecer", ponderou. O professor recorre ao exemplo da queda das bolsas em 1987 nos Estados Unidos, que ficou "circunscrita ao mercado financeiro, em particular de capitais", não afetando o lado real da economia.O economista da UFRJ analisa que há pelo menos duas semelhanças no quadro americano na crise anterior e na atual: o dólar desvalorizado e a reação do Banco Central, que na época baixou as taxas de juros. Fruto em parte da própria crise do mercado acionário, o dólar está desvalorizado em torno de 11%, com relação ao euro e iene. O aumento das exportações pode compensar eventual queda do consumo. E os juros de longo prazo, em queda, poderiam estimular o investimento privado, que melhorou no primeiro trimestre deste ano.

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