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Para professora da USP, País desperdiça choques positivos na economia

Na avaliação da professora da Universidade de São Paulo (USP), Eliana Cardoso, o Brasil teve um ano excelente, mas a política monetária executada pelo Banco Central impediu que o País aproveitasse os "choques positivos" que se apresentaram. "Todos os choques agora são positivos. O risco Brasil está caindo no exterior e isso contribui para uma apreciação cambial. Seria de se esperar que nós não precisássemos subir os juros. Se nós subirmos os juros quando os choques são positivos, o que iremos fazer quando a situação se inverter e começarmos a ver os juros subirem nos Estados Unidos?", indagou a economista em entrevista ao programa Conta Corrente, da "Globo News".A professora criticou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), que garantiu que os juros altos não são empecilho para o crescimento da economia. "Se isso é verdade, então não existe um mecanismo de transmissão dos juros para a inflação", afirmou a economista. "O que o Banco Central está tentando fazer é reduzir um pouco o ritmo de crescimento de forma a diminuir as pressões da demanda aquecida sobre a inflação. Se esse mecanismo não existe, então podemos desistir de fazer política monetária."Segundo Eliana Cardoso, existe um outro canal importante além da taxa de juros para a inflação, que é o câmbio. Ela faz, porém, a ressalva de que o efeito da taxa de juros sobre o câmbio tem gerado muitos protestos no mercado, que vem pedindo ao governo que intervenha para evitar uma apreciação do real. "Você entra numa contradição. Temos que ter claro que política monetária e política cambial são duas faces de uma mesma moeda. Se não queremos que o real aprecie, não deveríamos estar subindo os juros."Indagada sobre o futuro do dólar no mercado internacional, Eliana Cardoso afirma que o cenário é de grande incerteza. Segundo a economista, parte do mercado aposta numa maior depreciação do dólar e outra parte acredita que o dólar já se moveu numa quantidade bastante significativa e que, a partir do ano que vem, poderá se observar uma pequena apreciação. "Ninguém consegue prever com precisão em que sentido o dólar vai se mover, nem quando e quão rápido."

Agencia Estado,

17 de dezembro de 2004 | 04h59

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