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'Para quem é conservador, pode ser um bom momento para comprar imóvel'

Após corte da taxa de juros de 0,5 ponto que trouxe a Selic para a mínima histórica de 5,5% ao ano, o administrador de investimentos Fabio Colombo diz que, como os preços dos imóveis ainda estão defasados, investidor pode ganhar com a renda do aluguel e ainda contar com a valorização da propriedade

Entrevista com

Fabio Colombo, administrador de investimentos

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 18h55

Com o corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros feito pelo Banco Central, que trouxe a taxa Selic para a mínima histórica de 5,5% ao ano, o investidor conservador que prefere aplicar o dinheiro em renda fixa deve obter rendimentos que praticamente empatam com a inflação, avalia o administrador de investimentos Fabio Colombo.

“Não tem aplicação de renda fixa que seja melhor, todas são parecidas”, afirma. Ele acredita que, para os investidores que não querem correr risco, o momento é favorável para compra de imóveis destinados à locação, uma vez que os preços dos ativos ainda estão defasados por conta crise. Leia a seguir trechos da entrevista.

Como a queda na taxa básica de juros afeta as aplicações dos investidores?

As reduções que o Banco Central vem fazendo na taxa de juros significa que o ganho real, que na realidade é o que o investidor recebe depois de retirar a taxa de administração e o Imposto de Renda e a inflação, diminuiu. Quando há essa redução da Selic, isso afeta todas as aplicações de renda fixa (poupança, CDB, Fundos DI, Fundos de Renda Fixa, LCI, LCAs, papéis do Tesouro Direto). Há pequenas variações entre os produtos, mas todos sofrem.

Essas reduções ocorrem só no Brasil?

Hoje no mundo inteiro os bancos centrais estão usando a política de juro real bem baixo. Na Europa e nos EUA chegam a ser negativos os rendimentos. O Brasil ainda paga algum juro real positivo, bem diferente do passado, que era muito alto. A não ser que tenha uma alteração muito grande na economia, o investidor vai ter de conviver com ganhos muito baixos.

Qual é o efeito dessa redução dos juros?

 Praticamente você aplica na renda fixa para manter o poder aquisitivo do dinheiro, isto é, empatar com a inflação. Com essa redução de 0,5 ponto porcentual, um fundo DI vai render em média 0,38% a 0,48% bruto, dependendo do número de  dias úteis. Se descontar o Imposto de Renda, o ganho real pode ficar praticamente zero ou vai ganhar 1,5% ao ano. No passado, o  brasileiro ganhava muito mais. É um cenário muito difícil para o investidor em renda fixa,  que é conservador e não quer correr riscos. Ele praticamente não vai ter ganho real.

Então renda fixa não é uma boa aplicação neste momento?

Não, mas isso tem a ver muito com o perfil das pessoas. Há pessoas que não aceitam fazer aplicações de risco, como Bolsa, fundos imobiliários. As pessoas acostumadas com renda fixa vão conviver com esse cenário. Podem ganhar um pouco mais ou um pouco menos. Mas elas têm de tomar cuidado com o risco de crédito.

O que é o risco de crédito?

Por exemplo, há bancos de primeira linha que pagam juros menores e  bancos pequenos que pagam um pouco mais. O pequeno paga mais porque existe um risco de crédito envolvido. Isso deve ser levado em conta na hora de aplicar dinheiro num banco menor. Por isso o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante aplicações de até R$ 250 mil por CPF (Cadastro de Pessoa Física). Sempre é importante o investidor estar atento para aplicações deste tipo.

Qual outra recomendação o senhor daria para quem quer aplicar em renda fixa?

Procurar produtos com baixa taxa de administração. Se optar por fundos DI ou de renda fixa, procure taxas de administração bem baixas, menor do que 1% ao ano. A taxa de administração está diretamente ligada ao volume aplicado. Por isso, a pessoa tem de ir ao banco, pesquisar, ver o volume que tem para aplicar. Se tiver uma disponibilidade pequena, abaixo de R$ 20 mil, é melhor ficar na poupança, porque não tem taxa de administração. Outra recomendação é evitar mexer muito no dinheiro para escapar da incidência do imposto mais elevado. Se deixar o dinheiro investido em renda fixa por dois anos, por exemplo, o Imposto de Renda é de 15%. Num prazo menor do que esse o imposto é de 22,5%.

Onde é possível ganhar dinheiro com esse juro baixo?

No mercado financeiro, tem a Bolsa, que ainda está com preços interessantes, porque caiu muito com a crise. Mas tem gente que não consegue conviver com o sobe e desce da Bolsa. As aplicações em Bolsa são destinadas a recursos nos quais o aplicador não precisa resgatar  no curto prazo. Também existe um produto novo, o fundo imobiliário. Mas ele também oscila, porque é constituído de cotas de fundos negociados em Bolsa. Esses fundos têm vários lastros, que podem ser  imóveis ou papéis ligados ao mercado imobiliário. Por isso, é preciso olhar bem o que está dentro desses fundos. Eles oscilam bastante e existem poucos fundos no mercado. Tem que tomar cuidado e entender bem qual é o lastro do fundo.

Hoje é um bom momento para investir em imóveis?

Sim, talvez seja um bom momento. O mercado imobiliário ainda está com preços defasados por causa da crise. Para os conservadores, comprar imóvel para alugar acho que não é uma má alternativa, em função de os juros terem caído tanto. Se a pessoa comprar um imóvel e conseguir alugar por 0,30% ou 0,50% ao mês, ela poderá obter essa renda. Além disso, se o mercado melhorar, o investidor embolsará a valorização do imóvel. Essa dica é para quem tem perfil conservador. Mas o que tem maior potencial de ganho para o investidor hoje é a Bolsa de Valores. Mas essa aplicação é recomendada para  o investidor que tem apetite e não vai ficar nervoso com as oscilações.

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