Para reconquistar os empresários, Lula atua nos bastidores

Preocupado com o impacto eleitoral da insatisfação dos empresários, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua nos bastidores para aproximar a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, do setor produtivo. Depois de assumir o papel de ouvidor das queixas dos mais variados representantes da indústria com o governo, Lula convenceu Dilma a anunciar hoje um pacote de medidas de crédito para estimular os investimentos.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2014 | 02h01

Cinquenta e quatro dirigentes de associações de classe, que compõem o Fórum Nacional da Indústria, foram convidados para a reunião com a presidente, na tarde de hoje, no Palácio do Planalto. A equipe de Dilma se surpreendeu ao saber que grande parte dos empresários está disposta a apoiar o senador Aécio Neves (PSDB) ou mesmo o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) na disputa presidencial e tenta a todo custo deter esse movimento.

Lula entrou na operação para reconquistar o mercado, cobrando "mais ousadia" do governo na política econômica. Antes a portas fechadas e agora publicamente, o ex-presidente não esconde mais a contrariedade com os rumos da economia e, na condição de avalista de Dilma, garante mudanças em um eventual segundo mandato da presidente, para resgatar a credibilidade fiscal.

Não foi à toa que, no início do mês, Lula criticou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, amigo de Dilma desde quando ela era secretária do governo de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. Diante de Augustin, Lula disse que o Planalto precisa tomar muito cuidado para não entrar numa "rota delicada" na economia ao barrar o crédito. "Se depender do pensamento do Arno, você não faz nada", alfinetou Lula, verbalizando comentário frequente até no PT.

Para Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico, o ex-presidente expressou o mal estar do empresariado com o governo, mas foi "injusto" com Augustin. "A presidente entende de economia. O Arno, o Mantega (Guido Mantega, ministro da Fazenda) e o Tombini (Alexandre Tombini, presidente do Banco Central) são coadjuvantes. Todos são peças de uma máquina que é conduzida por Dilma. É ela quem dá as diretrizes."

Sem querer entrar na polêmica eleitoral nem na possibilidade de mudança na política econômica, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse que a renovação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) é uma das principais reivindicações do empresariado, ao lado da revitalização do setor de máquinas e equipamentos.

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