Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Para reduzir inadimplência, empresas parcelam conta de luz no cartão

A distribuidora de energia Elektro, que desde agosto reajustou em cerca de 80% as tarifas residenciais, aceita pagamento parcelado no cartão em até seis vezes

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 15h55

SÃO PAULO - A alta da inadimplência das contas de energia elétrica acendeu o sinal de alerta nas prestadoras desses serviços, que ampliaram os canais para renegociar as dívidas em atraso e começaram até aceitar o pagamento das dívidas pendentes no cartão de crédito.

Desde o final de março a distribuidora de energia Elektro passou aceitar pagamento no cartão de crédito, parcelado em seis vezes na renegociação das dívidas pendentes, diz o gerente de planejamento de mercado e suprimento de energia da empresa, Gabriel Avelar.

A distribuidora, que atua em 228 municípios, a maior parte no interior e litoral do Estado de São Paulo, teve um aumento de 10% no número de clientes inadimplentes em maio em relação ao mesmo mês de 2014. Foram 68.500 residências que deixaram de pagar as contas de luz em dia. 

Em valor, a dívida pendente cresceu 43% na comparação anual. A empresa considera inadimplente um dia após a data do vencimento da conta. Desde agosto de 2014, a distribuidora reajustou em cerca de 80% as tarifas residenciais, o maior aumento da história da empresa.

"Um acréscimo de 10% no número de inadimplentes é muita coisa", afirma Avelar. Ele explica que a alta do calote não está afetando o balanço da empresa porque se trata de uma questão de curto prazo. "Como a energia é uma necessidade primária, o consumidor acaba se endividando num banco ou deixa de pagar outras dívidas para quitar a conta de luz."

Para facilitar a renegociação de contas em atraso, a empresa não descarta, no futuro, fazer um mutirão de renegociação. "Nunca fizemos mutirão", lembra o gerente.

Já a AES Eletropaulo, que há dois anos realiza feirões de renegociação em finais de semana, recebeu no evento da loja do Jabaquara, na capital paulista, realizado este mês o triplo de clientes inadimplentes em relação ao último feirão feito na mesma loja três meses atrás. "Foram mais de 500 atendimentos e cerca de 400 acordos, envolvendo R$ 1 milhão", segundo o gerente de cobrança da empresa, José Carlos Reis.

Ele conta que a empresa está mais flexível nas negociações: retira os juros e a correção da dívida, se o pagamento pendente for à vista, em duas vezes ou em seis vezes no cartão de crédito.

Apesar desses números significativos, Reis observa que, em termos de número de clientes, a inadimplência tem se mantido estável entre 2% e 3%. Isso corresponde a cerca de 200 mil clientes inadimplentes. 

Reis explica que existe uma defasagem entre a entrada em vigor do reajuste e o impacto na conta de luz e que esse movimento é gradual. Além disso, a empresa considera inadimplente contas vencidas a mais de 90 dias. A luz é cortada 75 dias após a data do vencimento e o nome do cliente vai para lista de devedores depois de 60 dias.

De toda forma, Reis acredita há risco de o calote crescer no futuro. "Temos um risco que é a conjugação de reajustes tarifários associados a uma situação macroeconômica de certa estagnação ou de atividade menor, que pode resultar no aumento da inadimplência. Isso deve aparecer de forma mais clara no segundo semestre."

A Cemig informa que percebeu um leve crescimento na inadimplência, em maio. Mas empresa argumenta que maioria dos consumidores historicamente dá prioridade ao pagamento das contas antes que seja cortada a energia.

Telefone e água. Na Vivo, no entanto, uma das gigantes do setor de telefonia fixa e móvel, a inadimplência da empresa foi de 2,4% da receita bruta total do primeiro trimestre. A empresa informa que houve um acréscimo de 0,8 ponto porcentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Por meio de nota, a companhia diz que "está adotando rígidos mecanismos de controle e tem tomado medidas nas frentes de crédito e cobrança para redução dos níveis de inadimplência".

A Sabesp, responsável pelo abastecimento de água, informa que o índice de inadimplência cresceu 0,82% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014. Por meio de nota, a empresa diz que "não houve alteração significativa".

Retratos da economia real: o aperto econômico chegou ao emprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.