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Para reduzir juros, BC coloca pressão no Congresso

Após quase quatro meses de governo, as incertezas em relação ao ajuste insistem em atravancar o caminho da redução dos juros

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2016 | 00h00

Quando assumiu interinamente a Presidência, em maio, Michel Temer não escondia de sua equipe a expectativa de que haveria condições de queda rápida de juros ainda este ano. O discurso era de que a confiança no novo governo e na estratégia de correção dos desequilíbrios das contas públicas abriria as portas para o início do processo de flexibilização monetária no cenário de recessão econômica do País.

Mas, após quase quatro meses de governo, as incertezas em relação ao ajuste insistem em atravancar o caminho da redução dos juros. O BC permanece avaliando que não há consenso sobre a velocidade de implementação do ajuste fiscal. E é justamente essa incerteza que o BC quer ver afastada para começar a reduzir a Selic. O seu arrefecimento é uma das três condicionantes que a autoridade monetária incluiu em seu novo comunicado aos agentes econômicos para determinar a evolução dos juros.

O BC preferiu não dar peso maior ou menor a nenhuma dessas três condições e deixou claro que a avaliação será subjetiva, inaugurando uma nova comunicação com o mercado. Mas fica evidente que o avanço nas votações das medidas de ajuste, a partir de agora, passa a ter papel preponderante para o embasamento das justificativas que vão referendar a queda de juros mais à frente.

Dessa forma, coloca pressão nos parlamentares para aprovarem logo as medidas. Definitivamente, o que pode ajudar no momento é a capacidade do governo de barrar propostas que sinalizem afrouxamento fiscal. Essas, sim, têm potencial para azedar o humor.

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