Para reduzir preço, postos querem comprar álcool direto de usina

Postos de combustíveis do Rio de Janeiro querem autorização para comprar álcool hidratado direto das usinas de cana-de-açúcar, sem a intermediação das distribuidoras, que hoje é obrigatória. A idéia é que, eliminando um "agente intermediário", o preço do produto apresente queda para o consumidor. "A distribuidora apenas transporta o álcool da usina para o posto e não interfere em sua formulação final, como no caso da gasolina, que recebe a adição de álcool anidro", explica o diretor do Sindicato Nacional dos Revendedores de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicomb), Marco Matheus, também diretor licenciado da Federação Nacional dos Revendedores (Fecombustíveis). Hoje o preço do litro do álcool para o produtor é de R$ 0,46 o litro, enquanto a média de preços nacional está em R$ 1,28. Desde que a safra na região Centro-Sul teve início, em abril, o preço do produto caiu em torno de 50% para o produtor, mas somente 20% em média para o consumidor. Diferença de preços Apesar de hoje não ser permitido às usinas vender álcool combustível a qualquer empresa que não seja uma distribuidora, é possível encontrar enorme diferença entre os valores do litro do álcool no Rio de Janeiro, por exemplo, e em cidades produtoras do combustível, como Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, região que concentra a maior produção de álcool do País. Segundo pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), enquanto a média do litro do álcool está em R$ 1,35 no Rio, a média em Ribeirão é de R$ 0,85, chegando a R$ 0,70 em boa parte dos postos pesquisados. É preciso considerar, avalia Marco Matheus, do Sindicomb, que há o acréscimo do frete entre a unidade produtora e o Rio, além da diferença de ICMS entre os estados ? no Rio é 31%, enquanto São Paulo é 25%. Além disso, há a sonegação de impostos de pequenas distribuidoras que agem como intermediárias na atividade.

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