DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Para Renan, não é 'recomendável' PMDB fechar questão sobre reforma da Previdência

Líder do partido no Senado afirmou que o estatuto da legenda estimula posições diferentes

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 18h15

BRASÍLIA - O líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), endossou na tarde desta terça-feira, 25, o posicionamento de alguns integrantes da bancada e considerou não ser “recomendável” a cúpula da legenda fechar questão na votação do projeto de Reforma da Previdência. O texto, atualmente, tramita na Comissão Especial da Câmara e após passar pelo plenário da Casa seguirá para votação do Senado.

O fechamento de questão, no jargão político, ocorre quando o comando nacional de uma legenda determina aos integrantes do partido no Congresso que votem da forma como foi orientado pela cúpula, sob pena de serem aplicadas penalidades aos dissidentes.

Em conversa com o Estado, Renan falou sobre uma possível determinação por parte da Executiva Nacional do partido. “O PMDB não tem essa tradição. O PMDB geralmente não fecha questão porque o estatuto garante posições divergentes e até estimula isso”, ressaltou.

Questionado sobre uma possível “imposição” do comando do PMDB, Renan afirmou: “Vai caber à direção, mas acho que não seria recomendável”.

Em conversa com reportagem no início da tarde, o senador Eduardo Braga (AM), integrante da executiva nacional do PMDB, afirmou que dentro da bancada do Senado não vê “perspectivas” para a cúpula nacional do partido impor uma decisão sobre a reforma Previdência.

“Não sinto dentro da bancada perspectiva de fechamento de questão na matéria. Como senador represento o povo do Amazonas, o meu eleitor, não apenas o PMDB, mas principalmente o meu eleitor”, ressaltou Braga.

Ele também ressaltou que não é comum da legenda fechar questão em temas polêmicos. “Não é tradição do PMDB fechar questão pela executiva. Acredito que num assunto tão delicado ao povo, as instâncias da bancada da Câmara e do Senado devem ser respeitadas”, emendou.

Partes. Procurado o presidente nacional do PMDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), não considerou como certo um fechamento de questão por parte do partido e que uma posição oficial da legenda vai depender, inicialmente, da uma decisão da bancada da Câmara, conduzida pelo deputado Baleia Rossi (SP).

“A direção nacional do PMDB está discutindo com a bancada da Câmara Federal porque um pedido de fechamento de questão tem que vir da bancada. Se for encaminhado o pedido, a executiva vai avaliar no momento apropriado”, afirmou Jucá.

Atualmente, o líder Baleia Rossi ainda encontra resistência dentro de parte da bancada para fechar uma posição em torno da votação da reforma da Previdência. De acordo com o placar da Previdência do Estadão, pelo menos 10 dos 64 deputados da sigla já declararam voto contra a proposta.

Caso, o líder consiga avançar nas negociações e reverta a posição de parte dos dissidentes, a decisão de se fechar questão não se estenderia de imediato à bancada do Senado, segundo o presidente da legenda.

“O fechamento de questão será decorrente de votações em cada Casa. Então, é possível que se houver uma solicitação da bancada da Câmara, que se feche questão primeiro na Câmara e depois se avalie com a bancada do Senado a questão”, afirmou Jucá.

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