Para representante do Bradesco, Vale não vai mudar rota

‘O presidente mudou, mas os acionistas controladores são os mesmos’, diz Renato Cruz, que representa o Bradespar no Conselho

Mônica Ciarelli, de O Estado de S.Paulo,

18 de abril de 2011 | 23h00

"A Vale não vai alterar sua rota. O presidente mudou mas, os acionistas controladores são os mesmos." Com esse recado, o representante da Bradespar no conselho de administração da mineradora, Renato Cruz, tentou tranquilizar investidores preocupados com uma possível ingerência política na companhia.

A declaração, feita em um encontro da Apimec-Rio, foi a primeira manifestação oficial de um representante do bloco de controle da Vale, após a confirmação da saída de Roger Agnelli do comando da empresa. O executivo será substituído por Murilo Ferreira.

Cruz revelou aos analistas que já teve dois encontros com o novo presidente, nos quais ele deixou clara a intenção de não promover grandes mudanças na diretoria executiva. Além disso, Ferreira já teria sido comunicado pelos controladores que o objetivo é manter a atual estratégia de crescimento da companhia.

"A Vale tem de continuar altamente lucrativa, voltada para criar valor aos acionistas", disse. O bloco de controle da mineradora é formado pela Previ, Bradespar, BNDES e Mitsui. Na última quinta-feira, contou, representantes desses acionistas estiveram reunidos na sede da companhia com Agnelli, Ferreira e a diretoria executiva.

No encontro, lembra, o presidente da Previ e do Conselho de Administração da Vale, Ricardo Flores, teria sido categórico ao afirmar que não há motivos para uma mudança na estratégia de crescimento da Vale, que vem acumulando resultados recordes. "A estratégia da Vale não é do presidente, ela é definida pelos controladores. Por isso continua válida", relatou.

Cruz admitiu que a possibilidade de o governo ter uma presença mais forte na Vale não preocupou apenas investidores. O tema teria sido abordado por diretores executivos durante a reunião. Para diminuir essa preocupação, Flores teria reforçado a intenção dos controladores de manter a empresa crescendo e se internacionalizando.

Para Cruz, houve muita politização no processo de substituição de Agnelli, o que gerou turbulência. Segundo ele, a questão política chegou a tal nível que inviabilizou a permanência de Agnelli à frente da companhia. Resolvida a sucessão, Cruz diz que o desafio agora é provar aos investidores que a Vale se manterá no prumo. Hoje, a mineradora realiza uma assembleia de acionistas para referendar a formação do novo conselho de administração. Dos 11 membros, sete serão reconduzidos aos cargos. Além das duas substituições propostas pela Previ (saem Jorge Luiz Pacheco e Sandro Marcondes e entram Nelson Barbosa e Robson Rocha), estão sendo indicados também novos representantes para a Mitsui e para os empregados da Vale.

Agnelli. De saída do comando da Vale, Agnelli defendeu ontem a necessidade de investimentos em tecnologia para que a gigante brasileira continue aproveitando a forte demanda chinesa. "Por mais que muita gente diga que mineração é isso, que mineração é aquilo, mineração é pura tecnologia", afirmou durante solenidade no Palácio Tiradentes para a assinatura de um termo de permissão de uso de um terreno em Ouro Preto (MG), destinado à construção do Instituto Tecnológico Vale. (Colaborou Eduardo Kattah)

 

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