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Para ruralistas, demissão de Rodrigues pode refletir contra Lula

A demissão do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, poderá refletir, eleitoralmente, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, no reduto dos produtores rurais e favorecer o candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), que tem feito um discurso de duras críticas ao "desleixo" do governo com o setor. A avaliação entre ruralistas no Congresso nesta quarta-feira foi a de que Rodrigues era "o ministro certo no governo errado", referindo-se à percepção do setor de que a administração federal elegeu como prioridade os pequenos agricultores em detrimento do agronegócio."O apoio de Lula, que era pouco entre os produtores, pode minguar", afirmou o senador Jonas Pinheiro (PFL-MT), um dos principais interlocutores do ministro da Agricultura no Legislativo. "O agronegócio está em luto. Quem vai nos defender?", indagou Pinheiro, que apoiava Rodrigues. Para o senador do PFL do Mato Grosso, Alckmin poderá capitalizar, eleitoralmente, com essa crise, conquistando apoio entre os produtores. "O ponto de apoio do agronegócio junto ao governo era o ministro Rodrigues e, com sua saída, ficamos órfãos", completou Pinheiro.Mesmo antes do anúncio da demissão, proprietários rurais buscavam no candidato da Coligação PSDB-PFL a presidente uma alternativa diante do descontentamento do setor com o Poder Executivo. "Lula está perdendo o apoio dos produtores rurais", avisou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) a Alckmin, na noite de terça-feira, durante a festa junina promovida pelo candidato a vice-presidente na chapa tucana, José Jorge (PFL). Além de Caiado, reforçou as críticas ao Executivo o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR). Um grupo da bancada ruralista marcou uma reunião de trabalho com Alckmin para esta semana.A crise de Rodrigues é reflexo também das pressões da bancada. Insatisfeita com as ações do Palácio do Planalto, a bancada queria endurecer os ataques contra Lula, mas convivia com o constrangimento de "ter de bater em Rodrigues" para poder desestabilizar a Presidência da República. Com a saída do ministro, os ruralistas sentem-se, a partir de agora, liberados para o ataque e foi o que fizeram hoje. "Os ruralistas estão liberados para agir", avisou Lupion a Rodrigues."A agricultura vive a maior crise dos últimos anos. A minha posição é que o governo quer aparelhar o ministério como instrumento político para a reeleição do presidente da República", completou o deputado do PFL de Goiás, observando que faltam apenas dois dias para que o Planalto fique impedido de fazer novas nomeações."Estou raciocinando como deputado que conhece a máquina do PT e como ele utiliza a máquina para fazer uma eleição", insistiu. "É o ministro certo no governo errado. A gente percebe, claramente, o viés ideológico do governo. O governo apóia outros setores, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), os assentamentos. Rodrigues representava o setor produtivo empresarial", afirmou o deputado Waldemir Moka (PMDB-MT).Hoje, havia a preocupação de o cargo ser negociado com o PMDB em troca do apoio do partido ao presidente nos Estados no fechamento de alianças regionais que precisam estar concluídas nesta semana. "Isso é especulação", negou o senador José Sarney (PMDB-AP), um dos principais interlocutores de Lula na legenda.

Agencia Estado,

28 de junho de 2006 | 21h43

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