Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Para Savyon, feiras são ideais para empresário

Empresário do segmento de tecidos envia para o mercado exterior 35% da sua produção mensal

O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2015 | 03h00

A região do Bom Retiro, no centro de São Paulo, ganhou fama pelo potencial de produção têxtil destinado à exportação. Até 2005, 70% da fabricação do bairro era vendida para o exterior. Hoje, devido à concorrência com os mercados asiáticos, essa fatia gira em torno dos 30%. 

O empresário Renato Bitter, diretor-geral da fabricante de tecidos Savyon, é um dos que soube tirar proveito desse redimensionamento da cadeia produtiva local. Seu mérito foi entender que não havia como competir com a China no ramo de produtos básicos e, desde o início de sua expansão, tratou de investir em uma linha mais “sofisticada, voltada basicamente para a confecção feminina”, diz. 

Há 40 anos no mercado, a Savyon exporta desde 2002, quando passou a prospectar clientes fora do País a partir da participação em uma feira de negócios na França. “Na época, o dólar também variava por volta dos R$ 3,80. A medida que o real foi valorizando, notamos que muitos expositores foram deixando as feiras, mas nós não. Permanecemos fomentando a exportação independente do câmbio e das crises”, relembra Bitter. “Fortalecemos o mercado externo com um produto de qualidade fácil de identificar.”

O começo, porém, não foi fácil para a Savyon. As confecções feitas a partir dos tecidos fabricados pela indústria da família Bitter foram incorporadas aos países parceiros após um trabalho pesado. 

“O cliente precisa ver o exportador como um parceiro em quem ele pode confiar. Quando ligávamos para empresas e falávamos que éramos do Brasil, eles não entendiam muito bem a razão do contato. Mas sempre insistimos, nem que fosse para falar com o assistente do assistente de um estilista”, relata o empreendedor. “Foi o caminho que encontramos para conquistar mercado”, afirma.

Apresentar um produto diferente, para Bitter, foi determinante para conseguir abranger mercados que não sejam concorrentes diretos de produtores asiáticos. “Competir com asiáticos é, muitas vezes, uma batalha perdida. Teria de abaixar o preço e diminuir a qualidade, o que não vale a pena.”

Depois de conquistado o mercado externo, a aposta deve ser na inovação para manter o público cativo e espantar a concorrência. “Se aqui já temos uma concorrência ferrenha, imagine lá fora, onde o leque de possibilidades e a oferta são muito maiores”, comenta o empresário. 

Atualmente, os principais mercados da Savyon estão localizados na América do Norte, Reino Unido e em alguns países da América do Sul. Por mês, Bitter fabrica em média 150 toneladas de tecido, dos quais 35% são destinados para o exterior.

Mais conteúdo sobre:
exportaçãofóruns estadão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.