Lawrence Jackson/The New York Times
Lawrence Jackson/The New York Times

Para se defender, Facebook busca transparência

Rede social rompe contrato com consultoria que divulgava informações depreciativas e anuncia comitê externo

O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2018 | 00h54

NOVA YORK - O conselho e o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, fizeram nesta quinta-feira, 15, uma ofensiva para defender a conduta da empresa e de seus executivos frente a alegações de que a maior rede social do mundo espalhava informações incorretas para desacreditar seus críticos.

Zuckerberg afirmou que nem ele nem Sheryl Sandberg, chefe de operações, sabiam sobre o relacionamento do Facebook com a Definers, consultoria de relações públicas sediada em Washington, acusada de tentar manchar os oponentes e concorrentes da empresa. Segundo Zuckerberg, o Facebook vai rever todas as suas relações com empresas de lobby externas.

A rede social está sob novo escrutínio público depois que uma reportagem do New York Times, publicada na quarta-feira, detalhou como a empresa tentou conter as revelações da atividade russa no período que antecedeu a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016 e o enorme vazamento de dados para a Cambridge Analytica, a empresa de análise de dados que trabalhou com a campanha de Donald Trump.

A primeira reação da rede social foi anunciar o cancelamento do contrato com a Definers, que desacreditava ativistas contrários ao Facebook, em parte ligando-os ao megainvestidor George Soros.

A consultoria também tentou desviar críticas à rede social pressionando jornalistas a investigarem rivais como o Google. Soros tem sido um detrator frequente do Facebook, chamando-o de uma “ameaça” no início deste ano.

Mais tarde, em uma teleconferência de quase 90 minutos com jornalistas, Zuckerberg defendeu Sheryl Sandberg, que, segundo o New York Times, supervisionou os esforços do Facebook para afastar os críticos e os reguladores. “No geral, Sheryl está fazendo um ótimo trabalho para a empresa. Ela tem sido uma grande parceira e continuará sendo”, disse.

Zuckerberg reforçou que ele e Sheryl só ficaram sabendo da relação do Facebook com a Definers pelo New York Times e que nunca pediram a eles “que atacassem um concorrente ou qualquer outra coisa”.

Política de transparência

Embora tenha passado a maior parte da teleconferência respondendo perguntas sobre a reportagem do NYT, Zuckerberg tentou passar a mensagem de que a companhia agora quer dar mais transparência na gestão do conteúdo. O executivo detalhou as medidas que a rede social está tomando para policiar o conteúdo nocivo e as mensagens falsas, informando o total de posts e contas que foram removidos e anunciando a criação de um órgão externo para ajudar a decidir o que pode ou não ser postado no Facebook. Segundo ele, a montagem do comitê não será fácil, mas os testes começarão já no ano que vem.

Zuckerberg disse que Nick Clegg, ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido, que foi contratado para liderar a equipe global de comunicação e assuntos do Facebook, levará uma análise das empresas externas com as quais o Facebook trabalha.

O fundador do Facebook detalhou as ações da companhia para diminuir o conteúdo que pode violar suas políticas que proíbem informações incorretas, incitação ao ódio, violência, intimidação. Com ajuda de inteligência artificial e mudanças no logaritmo, o objetivo é reduzir o alcance de grupos políticos incendiários ou vendedores de notícias falsas.

Em um documento extenso, Zuckerberg explicou como há um “problema básico de incentivo” que “se deixado sem controle, as pessoas acabam se envolvendo com um conteúdo mais sensacionalista e provocativo. Nossa pesquisa sugere que, independentemente de onde traçarmos as linhas para o que é permitido, à medida que uma parte do conteúdo se aproxima dessa linha, as pessoas se envolverão, em média, mais com ela – mesmo quando nos dizem não gostar do conteúdo”.

O Facebook aplicará penalidades ao conteúdo limítrofe, não apenas ao feed de notícias, mas também a grupos e páginas, para tentar diminuir a radicalização. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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