Para S&P, crescimento baixo aumenta pressão sobre o Brasil

Diretora da agência voltou a criticar a política econômica; Márcio Holland diz que agência cometeu um erro

Altamiro Silva Júnior, Correspondente - O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2014 | 02h04

NOVA YORK - A diretora para a América Latina da Standard & Poor's (S&P), Lisa Schineller, destacou que a perspectiva de baixo crescimento para os próximos anos do Brasil coloca uma pressão a mais nas contas fiscais do País, que já vêm se deteriorando nos últimos meses.

A S&P trabalha com a expectativa de crescimento em torno de 2% para o Brasil em 2015, e segundo Lisa este ano o ritmo deve ser um pouco menor. A diretora explicou ontem as razões do rebaixamento da nota do Brasil durante a "Brazil Summit", seminário promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, em Nova York, citando a deterioração das contas fiscais, das contas externas e o cenário de baixo crescimento.

Além disso, Lisa disse que o governo tem enviado sinais mistos sobre a condução da política econômica, o que compromete a credibilidade na política fiscal. Ela ressaltou que tem dúvidas sobre ajustes significativos na política econômica este ano, por causa das eleições, e mesmo depois de outubro as perspectivas não são muito boas.

A diretora da S&P destacou que a agência olhou um conjunto de fatores para rebaixar o Brasil, que não se limitaram à relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB). No caso da economia brasileira, ela citou que fatores estruturais e conjunturais têm contribuído para um enfraquecimento da atividade e deterioração de alguns indicadores. Também tem pesado um conjunto de fatores externos.

Na sua apresentação, Lisa ressaltou o baixo nível de investimento na economia brasileira, sobretudo quando comparada a padrões internacionais. Tudo isso, afirmou, é uma justificativa para colocar o rating soberano brasileiro no último nível da categoria grau de investimento.

Outro lado. "Discordamos da avaliação da Standard & Poor's sobre o Brasil", afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Ele fez sua apresentação logo após a diretora para a América Latina da S&P.

A S&P, disse Holland, só viu o que eles achavam ser as fraquezas da economia brasileira. "Eles cometeram um erro", afirmou, destacando que o cenário na economia mundial mudou muito nos últimos meses e é bem diferente do começo do ano. Uma das razões da melhora foi o maior entendimento dos investidores sobre a retirada dos estímulos monetários nos Estados Unidos.

O Brasil, segundo o secretário, transitava de um período de política contracíclica, adotada para contornar os efeitos da crise internacional, para uma "política de consolidação". Nesse meio tempo, a S&P rebaixou o rating soberano.

Holland mostrou em sua apresentação vários gráficos para exemplificar a melhora de alguns indicadores nos últimos anos. "A inflação foi reduzida de altos níveis para algo em torno de 5,9%", afirmou. Ele destacou ainda que o Brasil tem responsabilidade fiscal e comprometimento com o regime de metas de inflação. "O País tem dez anos consecutivos com a inflação dentro da faixa da meta", afirmou Holland. "Apesar de fatores desfavoráveis, o Brasil manteve crescimento robusto."

O secretário citou os "altos níveis de reservas internacionais, solidez das contas fiscais e bancos bem capitalizados e resistentes" para destacar que o Brasil está bem preparado. "Bons fundamentos macroeconômicos permitiram ao País usar políticas econômicas de resposta."

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