Para S&P, progresso da economia do Brasil é muito lento e gradual

Impostos elevados e a taxa de investimento muito baixa são obstáculos, diz agência

Álvaro Campos, da Agência Estado,

17 de abril de 2012 | 15h25

SÃO PAULO - Os impostos no Brasil são altos, a taxa de investimento é muito baixa e o progresso no combate às raízes desses obstáculos ao crescimento é "muito lento e gradual", segundo analistas da agência de classificação de risco Standard Poor's.

"Nós vemos alguns progressos em algumas áreas, mas o progresso é muito lento e gradual", comentou Sebastian Briozzo, diretor da S&P para análise de crédito na América Latina. Segundo ele, esse avanço muito gradual tem sido observado no Brasil nos últimos 15 anos. "No momento, os fatores positivos e negativos pesando sobre o perfil de crédito do país estão equilibrados no nível atual do rating".

A S&P elevou a nota do Brasil para BBB em novembro do ano passado, com perspectiva estável, refletindo a capacidade do país de lidar com crises internacionais. A estabilidade econômica do país ao longo da última década deu ao governo as ferramentas para responder a crises globais, ajudando a fortalecer a economia doméstica. Mas os resultados têm sido desiguais, o que não é uma surpresa, dada a amplitude da turbulência internacional. "Existe um mundo lá fora que é muito difícil de prever", comentou Briozzo.

A economia brasileira cresceu fortemente em 2010, gerando temores de superaquecimento, mas então em 2011 houve uma forte desaceleração, com a crise internacional e a retirada de medidas governamentais para estimular o crédito. Economistas acreditam em uma nova aceleração na segunda metade deste ano, com o governo novamente afrouxando a política monetária. As medidas ainda estão no estágio inicial, e é um período complicado para colocá-las em teste.

Segundo Briozzo, a polêmica decisão do banco central de cortar fortemente os juros em agosto do ano passado se mostrou acertada, mesmo tendo sido amplamente criticada por muitos participantes do mercado na época. Com o crescimento brasileiro caindo para quase zero no ano passado, em meio à deterioração na crise da dívida soberana na Europa, o banco central cortou os juros, mesmo com a inflação acima do limite superior da meta. A inflação terminou 2011 em 6,5%, e desde então está caindo, chegando a 5,2%.

O governo brasileiro também adotou medidas para evitar o que considera uma supervalorização do real, argumentando que essa força da moeda local prejudica a competitividade dos exportadores nacionais e torna as importações mais baratas, gerando o risco de desindustrialização. O banco central têm comprado dólares para absorver parte da entrada de capital e fortalecer suas reservas internacionais, enquanto o governo impôs o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em certos tipos de transações.

"É difícil avaliar se isso é apropriado ou não no atual cenário", afirma Briozzo. Segundo ele, embora o IOF realmente cause distorções, deixar o real se valorizar também tem um custo. O analista afirma que o governo está tentando encontrar um equilíbrio complexo entre impedir a entrada de capital especulativo de curto prazo e atrair investimentos estrangeiros de prazo mais longo, que são muito necessários para elevar os investimentos. "O governo brasileiro parece estar tentando testar os limites, mas não ultrapassá-los".

Enquanto isso, Roberto Sifon-Arevalo, analista-chefe da S&P para ratings soberanos da América Latina, afirma que o forte crescimento do crédito no Brasil nos últimos anos não é um problema no momento, mas é algo que exige atenção. "É um assunto que exige atenção, e nós estamos acompanhando isso muito atentamente, porque tem o potencial de se tornar um problema. Mas até agora não é um problema". As informações são da Dow Jones.

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