Para setor químico, resultado do PIB abre boas perspectivas

Empresários já enxergam um novo ritmo de crescimento e apostam no potencial da demanda do final do ano

André Magnabosco, da Agência Estado,

11 de setembro de 2009 | 16h07

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre confirmou a tendência de recuperação da economia nacional e abre boas perspectivas de negócios para o segundo semestre, período tradicionalmente mais robusto de vendas para a indústria química. Essa é a visão de executivos dos segmentos petroquímico e farmacêutico, duas das principais áreas que compõem os indicadores econômicos do setor no Brasil.

 

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De acordo com o presidente da Quattor, Vitor Mallmann, os dados da indústria petroquímica, segmento, que pode ser considerado um dos termômetros da economia nacional, mostram que a atividade econômica brasileira já busca um novo ritmo de crescimento. "Eu diria que já vemos alguma estabilidade no patamar de expansão nos dados do terceiro trimestre", afirmou Mallmann. Segunda maior fabricante de resinas do País, a Quattor fornece polietileno e polipropileno para empresas de diversos segmentos com atuação no mercado plástico, que vai desde embalagens até peças para veículos automotivos.

 

A demanda doméstica por poliolefinas, mercado que engloba os dois tipos de resinas, encolheu aproximadamente 8% no primeiro semestre, segundo o executivo. Apesar da forte queda nos seis primeiros meses do ano, Mallmann acredita que é possível para o setor registrar expansão no acumulado de 2009, o que significa que o mercado deve crescer - incluindo a demanda registrada com as importações - próximo de 8% na segunda metade do ano.

 

"Vimos o mercado de bens essenciais, como o alimentício, praticamente não sentir impacto da crise. Outros mercados, como o de bens duráveis, no entanto, foram prejudicados em um primeiro momento, mas depois beneficiados com os incentivos do governo", afirmou o executivo, referindo-se à redução do IPI para os setores automotivo e linha branca. Beneficiada por esses setores, a Quattor encerrou julho com vendas no acumulado anual praticamente estáveis em relação ao volume negociada nos sete primeiros meses de 2008.

 

A recuperação da economia, conforme Mallmann, acontece em um momento importante para as indústrias, que já iniciam as vendas para atender a demanda de final de ano. "Temos a sazonalidade favorável do segundo semestre, e ainda temos uma base de comparação mais fraca vista no quarto trimestre do ano passado", lembra o executivo, que também preside o Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp).

 

O momento mais fraco deste ano, por outro lado, ocorreu nos três primeiros meses deste ano, período em que as petroquímicas interromperam as linhas de produção devido principalmente à queda das exportações.

 

Apesar da adversidade do cenário, o setor não paralisou os projetos anteriormente anunciados. A Quattor concluirá este mês o projeto de expansão do polo petroquímico instalado no Grande ABC. A concorrente Braskem também deu andamento ao projeto de construção de uma nova unidade no Rio Grande do Sul, além dos planos de investir no exterior.

 

Farmacêuticas

 

Para as redes de atacado e varejo de medicamentos, a recuperação econômica nacional no segundo trimestre comprova a resiliência do segmento à crise. Ao contrário de outros setores da economia, o mercado que engloba a venda de medicamentos, produtos de higiene pessoal e cosméticos não encolheu entre o final do ano passado e o começo deste ano. Ao contrário, a receita dos atacadistas cresceu 11% no primeiro semestre, segundo dados da consultoria IMS apresentados pela distribuidora Profarma. Já as vendas das redes farmacêuticas, por sua vez, cresceram 25,5% no primeiro semestre, segundo a Abrafarma, entidade que reúne redes de farmácias e drogarias.

 

A recuperação dos indicadores econômicos no Brasil deve reforçar a estratégia de continuidade de investimentos do setor e, de quebra, dar novo ânimo ao processo de consolidação da cadeia. Esse movimento ganhou fôlego no ano passado, devido à implantação da nota fiscal eletrônica e da substituição tributária no setor. "O mercado nacional é muito fragmentado e temos neste momento um ambiente muito favorável para a consolidação", destacou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Max Fischer, que participou hoje de encontro com analistas e investidores promovido pela distribuidora em parceria com a Apimec-SP.

 

Fischer acredita que a receita do setor este ano deve apresentar alta de 8% a 10% em relação ao total negociado no ano passado, praticamente em linha com o crescimento visto no primeiro semestre. "O Brasil encontrou no mercado interno o 'colchão' para superar a crise, por isso não enfrentou tantas dificuldades como outros países exportadores", afirmou.

 

Para o presidente-executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, o ritmo de negócios do setor no segundo semestre deve ser ainda mais forte do que o visto nos primeiros seis meses do ano, conforme tradicionalmente ocorre no setor. "Os dados do segundo trimestre sinalizam a retomada da economia e acredito que o cenário de negócios para o segundo semestre seja ainda mais favorável", afirmou, lembrando que o setor de serviços apresentou o melhor resultado setorial do primeiro semestre. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor de serviços cresceu 2,1% nos seis primeiros meses do ano, em relação ao mesmo intervalo do ano passado, compensando em partes a queda de 8,6% visto na indústria e de 3% na agropecuária.

 

Mesmo no período mais adverso da crise, o setor manteve o ritmo de expansão e ampliou em 16% o número de lojas no País durante o primeiro semestre, segundo Mena Barreto. "O setor farmacêutico costuma ser o último a entrar na crise e o primeiro a sair, por isso não registramos redução dos investimentos ou dos postos de trabalho", afirmou o executivo.

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