Para sindicato das empresas, Anatel foi 'exagerada'

De acordo com diretor do SindiTelebrasil, decisão da agência misturou critérios técnicos e políticos

RENATO ANDRADE, ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h08

O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) considera radical a decisão tomada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) contra as operadoras TIM, Claro e Oi. A extensão da medida - que proibiu a venda de novas linhas em todos os Estados -um dos "exageros" apontados pela entidade.

"Não precisava ser assim. Não precisava suspender a comercialização em todos os Estados", afirmou Eduardo Levy, diretor- executivo do SindiTelebrasil. Para ele, ainda que a agência quisesse punir as operadoras com a suspensão de vendas, isso deveria ter sido feito apenas no Estado em que a empresa tivesse os piores indicadores de qualidade. Na prática, isso representaria a suspensão em apenas três Estados, considerando o número de operadoras que foram atingidas pela decisão inédita da Anatel.

Levy acredita que a decisão anunciada na última quarta-feira teve critérios técnicos e políticos, mas evitou abrir uma polêmica sobre o assunto. "É uma mistura de questões."

Para o executivo, a Anatel poderia ter chamado as empresas para discutir a qualidade na prestação de serviço e exigir das operadoras a implantação dos planos de investimento. "A Anatel poderia convocar as empresas e solicitar o planejamento, os planos de investimento, e exigir o cumprimento. Tudo isso que ela está fazendo agora. Ela tem poderes para fazer isso sem o impedimento da comercialização."

A expectativa do SindiTelebrasil é que a venda de novas linhas seja liberada pela Anatel antes do final da primeira quinzena de agosto. Segundo Levy, o setor é um dos que mais investe no País e continuará fazendo isso. "Nunca investimentos tanto como em 2011 e, no primeiro trimestre de 2012, o investimento foi 30% maior que o do mesmo período do ano passado".

Levy insiste que a trava nas vendas de novas linhas não resolve o grande problema: a burocracia que trava o avanço dos investimentos em infraestrutura em ritmo adequado. A ideia do governo de estabelecer uma lei federal para tentar resolver o imbróglio das legislações sobre a instalação de antenas nas cidades é bem vista por Levy.

Para o executivo, além do descasamento entre a velocidade de crescimento da demanda por celulares e serviços e o de liberação para implantação de infraestrutura, há outro aspecto cultural que dificulta a solução desta diferença. "Há uma emoção muito grande nesta questão." Ele diz que todos querem um bom sinal em suas casas, mas não querem uma antena perto delas. Para Levy, as antenas causam apenas um "problema estético" nos municípios, mais isso pode ser resolvido. "Quanto mais antenas tivermos, menores elas serão".

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