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Para sindicato, governo não deve intervir para ajudar BRA

Presidente da associação de empresas aéreas diz que companhia tem carência de infra-estrutura

Agência Brasil,

08 de novembro de 2007 | 07h38

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), José Márcio Mollo, disse na quarta-feira, 7, ser contrário a qualquer intervenção do Estado para ajudar a BRA Transportes Aéreos a retomar seus vôos. Para a entidade, o problema tem de ser resolvido pelo mercado.   "Não aceitamos a intervenção do Estado e não vemos razão para que se gaste dinheiro público a fim de manter empresas que não têm condições de competir", afirmou Mollo.   Segundo o representante das empresas aéreas, a decisão da BRA de suspender todos os vôos a partir de quarta e de dar aviso prévio aos 1.110 funcionários não foi uma surpresa. "O setor já esperava um problema com a BRA desde que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a redução do número de aviões da empresa por causa de problemas", avaliou.   Em outubro, a agência suspendeu as vendas de passagens internacionais da empresa por causa de problemas com os Boeings 767 que a companhia utilizava nas rotas internacionais. Duas aeronaves tiveram de ser submetidas a inspeções por apresentarem defeitos.   Apesar de ter recebido um aporte de R$ 180 milhões de um grupo de investidores em dezembro do ano passado, a companhia acumula mais de US$ 100 milhões em dívidas com bancos e empresas de leasing, revelam fontes do mercado. A empresa, que em seu auge chegou a transportar 180 mil passageiros por mês, tinha 70 mil passagens vendidas até março de 2008.   A frota atual da BRA é composta por dez aeronaves, todos Boeings, mas em junho a Embraer anunciou encomenda de até 40 aviões pela BRA. Procurada, a fabricante de aviões disse que comentaria sobre o status atual da ecomenda. Em agosto, o presidente da BRA, Humberto Folegatti, afirmou que a empresa pretendia abrir o capital e que esperava comprar até 100 aeronaves da Embraer em um prazo de cinco anos.   Setor aéreo   Para Mollo, mesmo que a BRA deixe de operar, o impacto para o setor aéreo será pequeno: "A participação dela, no último mês, foi de 4,6% dos passageiros transportados. Uma participação muito pequena e que, com certeza, as outras empresas terão condições de suprir".   Quanto à possibilidade de outras companhias transportarem os passageiros que compraram passagens antecipadas, Mollo diz que a decisão vai depender de a BRA demonstrar condições e disposição de ressarcir as empresas pelos gastos. "A princípio, os passageiros com passagens marcadas devem procurar a própria BRA para serem reembolsados. Quanto aos que já estavam viajando e têm de retornar aos seus lares, as empresas garantem trazê-los", explicou.   Na quarta, as empresas aéreas Gol, Varig, TAM, OceanAir e Webjet confirmaram que transportarão os passageiros da companhia BRA que estão em trânsito, endossando suas passagens.   De acordo com o presidente do sindicato, a situação da BRA nada tem a ver com a crise do setor aéreo, que ele diz se restringir a carência de infra-estrutura. "As empresas aéreas não estão em crise. Até setembro deste ano, houve aumento de 10% do número de passageiros, o que significa que o setor continua crescendo, apesar de todos os problemas", argumentou. "As empresas regionais, pequenas, estão crescendo muito, em proporções até maiores que as grandes."   Em nota divulgada na terça, a BRA afirmou que a suspensão é 'temporária', mas não tem previsão de quando voltaria. Na nota, a empresa disse ainda estar 'em processo de negociação para a obtenção dos recursos financeiros necessários para a continuação das operações'. A empresa tem 180 dias para voltar a operar, sob pena de perder a concessão.   Segundo analistas, é praticamente impossível uma companhia aérea voltar a operar depois de uma parada. "Não existe esse negócio de companhia aérea parar. Transbrasil e Vasp prometeram voltar, mas não saíram do chão", afirma o consultor Paulo Bittencourt Sampaio. "É como um paciente que pára de respirar. Acabou."

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