JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Para sindicatos, reforma da Previdência é ‘exagerada’

Força Sindical diz que proposta vai ajudar na mobilização dos trabalhadores contra as mudanças; PF já se mobiliza para ficar de fora

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2016 | 23h34

BRASÍLIA - Com a ausência da maior central sindical do País, a CUT, ligada ao PT, o governo apresentou ontem os principais pontos da reforma da Previdência aos líderes dos trabalhadores. Ponto central da proposta do presidente Michel Temer, a fixação de uma idade mínima para aposentadoria em 65 anos já é alvo de resistência de parlamentares e sindicalistas.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que as medidas “são tão exageradas que vão ajudar a fortalecer mobilização dos trabalhadores contra a reforma”. Ele questionou a falta de detalhes sobre se haverá cobrança de setores que hoje são isentos, como o agronegócio e os exportadores. Juruna também se queixou de Temer não ter apresentado nenhum papel com a proposta.

A reunião com os sindicatos foi feita logo após o encontro com líderes da base aliada. Além da Força Sindical, compareceram representantes da UGT, Nova Central, CTB, CSB, Contag (que representa os trabalhadores rurais) e Dieese.

Exceções. O deputado Alexandre Baldy (PTN-GO) disse que, apesar de vender uma reforma igualitária, “nem todos serão iguais” na proposta do governo, já que as Forças Armadas, policiais militares e bombeiros ficarão de fora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratará das mudanças na aposentadoria. A ideia do governo é encaminhar um projeto de lei posteriormente para tratar da Previdência dos militares, mas não será ao mesmo tempo em que a reforma.

Em meio ao anúncio, representantes de categorias como a Polícia Federal estiveram ontem no Palácio do Planalto num corpo a corpo com parlamentares para tentar conseguir escapar da mudança. Ontem, líderes da classe abordavam deputados e senadores tentando convencê-los de que a Previdência da PF deveria ser tratada juntamente com o projeto de lei dos militares.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a reforma da Previdência é necessária para que seja possível aumentar o emprego, reduzir a inflação e baixar os juros. Segundo ele, o governo prevê aprovar a proposta ainda no primeiro semestre de 2017.

O líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), contou que haverá uma reunião de líderes hoje para definir se haverá ou não autoconvocação do Congresso durante o recesso parlamentar. Segundo técnicos, essa iniciativa teria potencial de acelerar a tramitação em pelo menos dois meses. Mas a ideia não é consenso. / ADRIANA FERNANDES, CARLA ARAÚJO, EDUARDO RODRIGUES, ERICH DECAT E IDIANA TOMAZELLI

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