Para Sobeet, aumento dos juros tem efeito "psicológico"

O aumento da taxa Selic de 18% para 21% tem um efeito "mais psicológico do que prático" com relação ao câmbio, embora não seja neutra, já que deverá afetar o nível de atividade. A avaliação é do presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda. "Trata-se de mais um sinalizador para o mercado de que o banco não está passivo diante da situação e está atento ao que vem ocorrendo", afirmou Corrêa de Lacerda. Segundo o economista, a medida representa uma espécie de reversão do que se dizia a respeito do câmbio flutuante e, em sua análise, os juros, usados oficialmente dentro do regime de metas de inflação, "agora estão sendo usados como instrumento para tentar diminuir a especulação" e para sinalizar ao mercado que está atento. "Na verdade é uma queda de braço entre o Banco Central e o mercado. A medida veio tardiamente, porque o banco podia ter atuado há mais tempo", afirmou Lacerda, citando que o BC ficou no "dilema dos liberais de deixar o câmbio flutuar". Ele reconhece que, teoricamente, quando os juros sobem para controlar a inflação o crédito fica encarecido e se coíbe a demanda. "Mas o problema não é de inflação de demanda, é choque de custos, decorrente de um aumento de tarifas", argumenta. Na avaliação de Lacerda, do ponto de vista de controle da inflação, a medida é, portanto, parcial. O economista também explicou que a medida surge de "uma certa perda de controle da situação", junto a outras, como o aumento do compulsório.

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