Para Sobeet, FMI errou no diagnóstico sobre o Brasil

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, afirmou hoje que o FMI "errou no timing e no diagnóstico" de que o agravamento da crise brasileira poderá contagiar outras economias emergentes. "Essa foi uma avaliação do mercado há alguns meses. É claro que hoje o Brasil ainda é vulnerável à crise de liquidez internacional, mas certamente a situação é melhor do que há dois meses", disse.Segundo ele, a evolução positiva da balança comercial, a menor percepção de risco pelo mercado, a entrada de US$ 10,5 bilhões em investimentos estrangeiros e o acordo com o FMI são fatores que diminuíram a vulnerabilidade brasileira. "Hoje é pouco provável um cenário de agravamento da crise brasileira", afirmou.Para ele, a especulação feita pelo mercado em cima do debate eleitoral já passou e o período de transição de governo não deverá ter turbulências mais fortes. Com isso, disse, o País poderá começar 2003 melhor do que está agora. "No ano que vem o crescimento do PIB será maior do que o deste ano, até pelo efeito estatístico de ser um aumento sobre uma base pequena, e a balança comercial será ainda melhor", previu.Lacerda afirmou que o Brasil terá que enfrentar, a partir de 2003, o desafio de aumentar o superávit comercial em um cenário de crescimento econômico. "Melhorar a balança em um ambiente de baixo crescimento, em que as importações diminuem, não é tão difícil . O desafio será aumentar as exportações acima do crescimento das importações, que crescem com a aceleração da economia. Aí será preciso ter substituição de importações", disse. O economista avaliou que os programas de governo dos quatro principais candidatos à Presidência "contemplam medidas nessa direção".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.