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No setor de engenharia, Chemtech sucumbiu à crise da Petrobrás, enquanto a Radix procurou novos clientes

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 21h40

Quase uma unanimidade no setor de projetos de engenharia, a Chemtech figurou, por anos, nos primeiros lugares entre as melhores médias empresas para trabalhar, do Instituto Great Place to Work. Especialmente no auge da euforia com o pré-sal, entre 2009 e 2011, a empresa “fisgava” seus talentos direto nas melhores universidades. Mesmo não sendo uma marca conhecida, tinha como poder de atração um ambiente de trabalho calcado em gigantes da tecnologia, como o Google. Até massagem no horário do expediente os funcionários recebiam.

A empresa, fundada por um grupo de engenheiros nos anos 80, vendeu a totalidade de suas ações para o grupo alemão Siemens em 2008. Em 2011, chegou a ter um time de 1,3 mil engenheiros. O faturamento passava de R$ 200 milhões. Na época, as promessas de desenvolvimento pareciam ilimitadas – afinal, não só a Petrobrás estava com o pé no acelerador, como a derrocada da OGX, de Eike Batista, seria considerada uma piada caso fosse prevista por um vidente. A Chemtech pegou o embalo e concentrou todas as suas fichas em óleo e gás: cerca de 85% das receitas da companhia estavam concentradas nesse setor.

Quando as promessas de Eike caíram por terra e a Petrobrás se viu envolvida em um escândalo de corrupção sem precedentes, a Chemtech foi quase levada pela ventania. Segundo fontes de mercado, a empresa demitiu dois terços de sua força de trabalho – que hoje é de 300 pessoas. Para 2015, o faturamento não deve passar de R$ 50 milhões, apurou o Estado. Fontes dizem que, não fosse o grupo Siemens, a empresa poderia simplesmente ter deixado de existir. Procurada, a companhia não quis dar entrevista. Admitiu, porém, que fez cortes drásticos. 

Diversificação. Um dos fundadores da Chemtech, que começou a concorrer diretamente com seu antigo negócio a partir de 2010, não tinha o conforto de poder contar com um grande grupo internacional caso as coisas dessem errado. Por isso, mexeu-se para não se juntar ao cemitério de empresas criado pelo corte nos investimentos da Petrobrás. “Quando a Graça Foster assumiu a presidência, em 2012, dava para perceber que a ordem do dia seria economia. Foi quando começamos a reduzir a nossa dependência do setor”, diz Luiz Rubião, presidente da Radix.

Nos últimos três anos, a empresa, que tinha 80% de suas receitas atreladas à Petrobrás, começou a correr atrás da diversificação. Além de conquistar novos clientes na área de óleo e gás – como a Chevron –, o time de projetos da Radix passou a se concentrar em segmentos como energia, agronegócio e até hospitais. Ele admite que os projetos são menores do que os da Petrobrás, mas o movimento ajudou a garantir a sobrevivência do negócio. A Radix faturou R$ 54 milhões no ano passado e conseguiu manter os talentos – hoje, tem quase 400 funcionários. A companhia abriu recentemente uma subsidiária para captar clientes nos Estados Unidos.

Esse movimento, porém, não livrou a empresa de dificuldades. Os principais sócios – a maior parte deles vinda da Chemtech – venderam, no fim de 2014, 50% do negócio ao grupo Sotrex, mais conhecido pelas concessionárias de máquinas agrícolas. A empresa não revela o valor, mas diz que ganhou fôlego com o acordo. Esse lastro financeiro é vital, diz Rubião, porque os saltos de receita de antigamente vão demorar a se repetir. Hoje, a empresa considera o crescimento de 6% de seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) no primeiro trimestre – um motivo para comemoração.

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