Para Soros, não há paralelo entre atual momento e crise de 97

Sobretaxas impostas pelos EUA e Europa diminuem competitividade do etanol, diz

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h47

O financista George Soros acredita que a atual onda de valorização das moedas dos países emergentes e o ataque especulativo sofrido por essas mesmas moedas em 1997 são bem distintos. Ele concedeu uma entrevista na noite de segunda-feira, 18, ao programa Roda Viva, na TV Cultura."Há muito mais reservas hoje, então há, talvez, uma tendência de superacumular reservas", ponderou o financista. Ele acredita que essa tendência de aumento das reservas estaria vinculada ao crescente déficit comercial dos Estados Unidos. Soros criticou os países que, como o Brasil, continuam acumulando reservas. "É algo não muito eficaz, porque se paga mais pelo dinheiro do que se recebe se investido no Tesouro americano."O financista sustenta que a facilidade de acesso ao crédito nos Estados Unidos criaria um excesso de consumo, ou seja, o país acabaria consumindo mais do que produz, acumulando gigantescos déficits comerciais com o resto do mundo. "E isso é algo que não pode continuar indefinidamente", alertou Soros. "Realmente nos EUA, por exemplo, pode-se comprar carros, casas praticamente sem investimento de capital", exemplificou.Estados UnidosO investidor disse que haveria uma chance de 50% de que a atual bolha habitacional dos Estados Unidos venha a se estender para outros setores da economia daquele país. "Então, poderíamos ter alguns resultados negativos bastante inesperados", frisou. "Porque em minha opinião a liquidez no mundo vem do déficit comercial dos Estados Unidos, que aumenta as reservas em vários países. De um modo ou de outro, essas reservas criam liquidez nos mercados mundiais", prosseguiu Soros.Ao responder uma pergunta sobre a incompatibilidade entre a política de protecionismo norte-americana para produtos latino-americanos e uma tendência de guinada à esquerda de alguns países da região, George Soros foi condescendente. "No momento, os EUA foram bastante enfraquecidos", sustentou o financista. "Não estão naquela posição forte em que podem ser, digamos, sagazes, e tentar combater a ameaça representada por Chávez - que eu considero uma ameaça bastante real -, sendo mais imparciais ou generosos."EtanolGeorge Soros disse que as atuais sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e Europa diminuem a competitividade do etanol brasileiro. "Isso significa que, por enquanto, o principal mercado para etanol é doméstico", admitiu.Ele sugere a criação de um imposto para as emissões de carbono, o que poderia favorecer o produto brasileiro, naturalmente mais competitivo do que outros produtos similares. "O etanol é competitivo até certo ponto", afirmou. Ele ponderou que no futuro o álcool deve se tornar mais atraente."Muitos, inclusive eu, estão investindo no etanol com a expectativa de que será lucrativo exportar para os EUA, para a Europa e para o Japão, além de outras partes do mundo."

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