Para Steinbruch, 'só louco investe no Brasil'

Presidente da CSN e da Fiesp diz que situação econômica do País está crítica e que não adianta mais tomar medidas paliativas

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2014 | 02h39

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, disse ontem que o Brasil nunca vivenciou um ano eleitoral em que a expectativa é de recessão econômica. "A situação está difícil, crítica. A esperaFernannça era de que a economia estivesse mais aquecida, mas temos um risco iminente de desemprego e falta de perspectiva dos negócios", disse o executivo, na abertura do Congresso do Aço, em São Paulo.

Steinbruch disse que o Brasil precisa fazer algo "muito diferente", já que o País está chegando a um limite. "Medidas paliativas não adiantam. Eu só acredito em uma solução se houver algo muito diferente para solucionar nossos problemas. Só algo agressivo para arrumar essas distorções", afirmou.

A preocupação é ainda maior, afirmou, porque a percepção é de que o Brasil possui "muita margem para piorar". "As medidas são urgentes", disse, destacando a elevada taxa de juros no País. "O custo Brasil não permite competir. Só louco investe no Brasil", disse.

O executivo disse ainda que percebe um grande distanciamento do governo federal em relação aos problemas que vêm sendo enfrentados pela indústria. "Falta comunicação, nossa dificuldade não chega a Brasília", disse, ao exemplificar que os problemas da indústria automotiva são antigos e estão afetando toda a cadeia.

O presidente da CSN disse também que é difícil encontrar alguém otimista no curtíssimo prazo, e há notícias de que grandes empresas já estão demitindo e reduzindo a capacidade de produção. O executivo disse, por outro lado, que a indústria brasileira é rápida e responderá assim que forem vistos sinais mais positivos em relação ao andamento da economia.

Disputa. Steinbruch admitiu ontem que a CSN está na disputa para a aquisição da usina Gallatin Steel, da siderúrgica brasileira Gerdau e da indiana ArcelorMittal, conforme noticiado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, em julho.

A intenção da siderúrgica em ingressar no mercado americano é antiga. Recentemente, a CSN perdeu a briga por duas usinas do grupo russo Severstal nos Estados Unidos. "Quem sabe chegou a nossa vez", disse.

A Gallatin Steel, localizada em Kentucky, produz cerca de 6 milhões de toneladas anuais de bobinas a quente, de acordo com informações que constam no site da siderúrgica.

Se de um lado da CSN briga para entrar no mercado americano, no Brasil a companhia tenta driblar o cenário de baixo crescimento do País. Atualmente, Steinbruch disse que uma das alternativas analisada é aumentar o direcionamento de aço produzido no Brasil para o mercado externo.

Mas, segundo ele, a tarefa fica mais difícil diante da atual taxa de câmbio. "O real está muito valorizado", disse. "Para exportarmos, precisaríamos ter uma moeda mais atualizada. A exportação é uma alternativa para não parar."

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