Para Telebrás, operadoras não devem ir à Justiça

Segundo presidente da estatal, empresas de telefonia têm muitos interesses a negociar com a Telebrás

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

Apesar de juristas terem apontado como ilegal o decreto que determinou a volta da Telebrás para gerir o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o presidente da estatal, Rogério Santanna, não acredita que as empresas privadas irão à Justiça. "Acho que elas terão bom senso o suficiente para não judicializar a situação, pois elas têm interesses a negociar", disse Santanna, que participou do evento Conip 2010, em São Paulo. "É normal que as empresas reclamem muito. O choro é livre."

Santanna falou bastante de banda larga popular, com conexões de 512 quilobits por segundo (kbps) a R$ 35. O que ele apresentou de plano de curto prazo, no entanto, foi a ativação de uma rede óptica de longa distância que atende o Nordeste e o Sudeste, e passa por 15 cidades, sem chegar ao usuário final.

"Vamos atuar na última milha (segmento de rede que chega ao consumidor) com parceiros", afirmou Santanna. Mas há uma contradição nesse discurso, pois os maiores provedores de banda larga, apontados por Santanna em sua apresentação, são detentores de infraestrutura de acesso, a chamada última milha. Os três maiores são a Oi, a Net e a Telefônica.

O grande gargalo da banda larga está nessa rede de acesso e, pelo menos no curto prazo, o plano não responde a esse desafio. Santanna falou em parceria com pequenos provedores e na venda de frequências para banda larga pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

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