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Para UBS, cenário pode indicar uma estagflação

Banco suíço acredita que um corte de energia na casa dos 10% poderia provocar uma queda de até 1,5 ponto no PIB

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2014 | 03h00

Apesar das negativas do governo federal sobre risco de desabastecimento de energia no Brasil, analistas já fazem as contas do impacto que a medida poderia trazer para a economia interna. Em relatório enviado aos clientes ontem, o banco suíço UBS calculou que um corte de energia na casa de 10% durante 12 meses poderia provocar uma queda entre 0,7 e 1,5 ponto porcentual no Produto Interno Bruto (PIB).

Nesse cenário, a inflação poderia subir 1,2% e a taxa de desemprego, 0,5 ponto porcentual. Segundo o relatório assinado pelos economistas Guilherme Loureiro e Thiago Carlos, a combinação desses fatores poderia elevar a percepção de que a economia brasileira estaria indo na direção de uma estagflação e ter implicações políticas importantes, considerando que as eleições ocorrem em outubro deste ano.

"Um racionamento de energia poderia empurrar o PIB para zero e uma inflação acima da meta", afirmam os economistas, no relatório. Segundo eles, a presidente Dilma Rousseff hoje é favorita na corrida presidencial, com 44% das intenções de voto, segundo a última pesquisa CNT/MDA. "No entanto, a nosso ver, a eleição deve ser mais apertada do que o mercado está projetando nos preços, já que as pesquisas ainda não refletem o impacto completo da coalizão entre Eduardo Campos e Marina Silva."

Baixo investimento. Os economistas dizem não acreditar num racionamento de energia neste ano, mas diante do aumento do risco (especialmente o desenhado pela PSR Consultoria, de 24%) e das previsões ruins de hidrologia para março, resolveram traçar alguns cenários. No relatório, eles afirmam que o sistema elétrico vem sofrendo deficiências estruturais de produtividade, baixos investimentos e condições de chuva desfavoráveis.

"Para piorar a situação, a fim de evitar maior inflação ao consumidor no ano passado, o governo reduziu as tarifas de energia em 20%, estimulando a demanda em um ambiente onde a oferta já estava apertada." O resultado, afirmam os economistas, é a queda no nível dos reservatórios ao menor nível desde 2001, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a decretar um racionamento com corte de 20% do consumo de energia.

A diferença entre 2001 e 2014, explicam eles, está na maior capacidade de geração termoelétrica, que hoje pode produzir 27% da energia do País. Além disso, hoje o País tem um sistema de transmissão mais robusto que permite maior transferência de energia de uma região para outra. Em 2001, por exemplo, os reservatórios da Região Sul estavam cheios e não podiam ajudar o Sudeste por causa da falta de capacidade das linhas para fazer o intercâmbio.

Melhora. O nível dos reservatórios da Região Sudeste/Centro-Oeste - que está em pior situação no País - apresentou ligeira melhora nas últimas duas semanas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as represas das hidrelétricas da região estavam com o armazenamento em 35,84%. De 1.º de março até agora, o aumento foi de 1,24 ponto porcentual. Embora seja um avanço lento, o nível fica mais próximo da meta do ONS para o mês, que é 40% de armazenamento.

Teoricamente, se ficasse abaixo desse porcentual, o risco de decretar um racionamento neste ano seria maior. Mas, como os próprios economistas do UBS afirmam, em ano de eleição presidencial, uma medida como essa teria impactos bastante negativo na campanha da presidente Dilma Rousseff.

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