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Para Velloso, Previdência implode orçamento

Especialista em finanças define despesas do governo como 'grande folha de pagamento'

Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 03h00

O especialista em finanças públicas Raul Velloso costuma chamar as despesas engessadas do governo de “grande folha de pagamento”. O nome não vem apenas do fato de ela incluir os salários de servidores federais, mas porque nesse conjunto de despesas estão aposentadorias e benefícios assistenciais a todos os brasileiros. 

“Essa é uma folha muito mais rígida do que a do próprio funcionalismo. Você não pode demitir um aposentado por justa causa e os benefícios são atrelados ao salário mínimo, que sobe acima da inflação: ela cria uma pressão imensa sobre as contas públicas”, diz Velloso.

A “grande folha” que cobre salários do funcionalismo e principalmente pensões e aposentadorias de todo os brasileiros representava 35% dos gastos federais no começo dos anos 80. Hoje, reforça Velloso, ela draga o dinheiro público. Os benefícios abocanham quase tudo: três quartos do gasto – 75% do total. “Apenas um quarto pode ser usado para que o governo faça o que o cidadão espera que ele faça: investimentos na melhoria da infraestrutura, como manter estradas”, diz. 

Crise. Segundo estudo realizado por Velloso, o modelo da “grande folha” já tem data para explodir. “Mantido o ritmo de alta, em 2040, dobra em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Vai ficar com 150% do gasto – ou seja, simplesmente não vai caber no orçamento”, diz Velloso. “Por uma razão incompreensível, a população não se toca para a urgência de fazer uma reforma na Previdência e em outros benefícios.”

Na avaliação de Velloso, o atual momento é o ideal para levantar essa discussão há tanto tempo protelada. “É na crise que conseguimos motivação política para fazer coisas indigestas”. Ele lembra que a nova equipe econômica já apresentou algumas das mudanças que são importantes – como as feitas na regra de concessão do seguro desemprego. Não fosse a crise atual, ele acredita que o governo sequer teria pensado nas pequenas reformas que desagradam a maioria das pessoas. A motivação foi a “necessidade”. “Pena que o governo está tão fraco que não consegue aprovar integralmente as medidas que mudam para melhor os gastos da grande folha de pagamento”, diz Velloso. 


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