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Para vender TV digital, EUA aceitam reduzir royalties

Representantes do padrão norte-americano de TV digital, o ATSC, estão no Brasil, dispostos a negociar. O objetivo é persuadir o governo a criar um bloco continental de produção e exportação de aparelhos. "O Brasil tem a chance de criar um mercado hemisférico", diz Tommy Bruce, diretor do ATSC Forum. Ele afirma que, dessa maneira, o País seria a principal base exportadora para a América do Sul e também para os Estados Unidos.O executivo, acompanhado de um representante da indústria, o vice-presidente de pesquisa e tecnologia da Zenith, Richard Lewis, participou de reuniões nos Ministérios das Comunicações e do Desenvolvimento. Uma das vantagens apresentadas por eles foi na questão dos royalties. "É consenso que nós, fabricantes, devemos reduzir os royalties para a América do Sul", afirmou Lewis.Depois de ouvir do ministro Juarez Quadros (Comunicações) que a escolha do padrão não será meramente técnica, mas principalmente orientada para desenvolvimento industrial e exportações, o diretor do ATSC Forum disse que vai fazer uma proposta ampla. "Colocaremos os offsets (critérios políticos) em discussão", diz Bruce, ressaltando que economia de escala, preços baixos ao consumidor e exportações já estão em pauta.Mercado norte-americanoA preocupação do ministro com a definição de TV digital na China não aflige os norte-americanos. "Lá eles usam outra faixa de freqüência e já anunciaram que vão desenvolver um padrão próprio", diz o vice-presidente da Zenith. A fabricante detém 5% de participação no mercado de TV digital norte-americano, segundo Lewis, e espera encerrar o ano com metade de sua produção voltada para os novos aparelhos.Hoje, a diferença de preço nos Estados Unidos entre uma TV comum e a de alta definição é de aproximadamente US$ 200, e a expectativa é que se iguale em cinco anos. O país consome anualmente 26 milhões de televisores, e a base instalada é de 250 milhões, com mais de uma TV nos domicílios (estes, 100 milhões). Do total, aproximadamente 40% dos equipamentos funcionam com antena. Os demais recebem sinais de cabo e satélite. "Há um enorme mercado para televisores com suporte para as duas formas de recepção", indica Bruce.A comitiva do padrão norte-americano também conversou com associações de fabricantes (Eletros e Abinee) e algumas emissoras (SBT e TV Cultura) para apresentar o desenvolvimento da TV digital nos Estados Unidos. Segundo o ATSC Forum, existem já 400 aparelhos no mercado, que recebem programação de 457 estações digitais em 125 cidades, atingindo 86% dos lares norte-americanos.Na Coréia do Sul, a taxa de cobertura é de 30% da população, e o país é um dos grandes exportadores de aparelhos ATSC para os Estados Unidos ? inclusive, a coreana LG é controladora da Zenith.MobilidadeEm testes realizados por emissoras brasileiras, o padrão norte-americano se havia se mostrado inferior tecnicamente. "Os testes já estão velhos", diz o vice-presidente da Zenith, que afirma existirem soluções recentes para eliminar os "fantasmas" da transmissão quando utilizado o conversor, equipamento de adaptação do sinal digital para TV convencional.Segundo Lewis, é possível também adicionar mobilidade ao padrão norte-americano, característica que tornou o padrão japonês o escolhido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET), cujo estudo foi enviado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). "Sabemos que a questão da mobilidade é importante no Brasil, e podemos apresentar novas funcionalidades e avanços tecnológicos às emissoras", completa Lewis.

Agencia Estado,

22 de maio de 2002 | 20h00

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