Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Para viabilizar exportação, empresário cria marca voltada para o mercado chinês

Marcelo Moscofian, do Santa Monica Café Gourmet, teve dificuldades de enviar seu produto a China porque um chinês já havia registado a marca

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2019 | 05h00

O empresário Marcelo Moscofian, diretor do Santa Monica Café Gourmet, está prestes a embarcar o primeiro lote de café torrado com a marca da empresa para a China. Os cinco contêineres que devem sair do Porto de Santos (SP) rumo a Xangai levam uma carga de 25 toneladas dividida entre o grão torrado e moído, cápsulas para máquina, sachês para coar a bebida na xícara (drip coffee) e pequena parcela de café verde.

“Não conseguimos embarcar a carga porque um chinês registrou a nossa marca”, conta Moscofian. Para viabilizar a exportação, ele explica que precisou criar uma marca específica para o mercado chinês. Apesar do atraso, o empresário diz que, assim que resolver essa pendência, o café será despachado.

O café gourmet, do tipo arábica, mais refinado, é produzido no município de Machado, no Sul de Minas, onde ficam as cinco fazendas do grupo, que ocupam 300 hectares. Na China, o produto será vendido com a nova marca para supermercados. Também vai abastecer cafeterias, hotéis, bares e restaurantes por meio de um distribuidor local. A empresa fechou um contrato de fornecimento de cinco anos com o distribuidor chinês. No primeiro ano serão embarcados 70 contêineres. A previsão é aumentar 30 contêineres a cada ano. O grupo mineiro também negocia um contrato para produzir o café de marca própria de uma companhia chinesa.

A China faz parte de um projeto maior do Santa Monica Café de exportar o grão torrado de qualidade diferenciada, conhecido como café gourmet, para cerca de 30 países. O projeto de exportação do café torrado começou a ser traçado em 2017, conta Colins James Francis, executivo especializado em comércio internacional contratado para desenvolver essa área na empresa.

O plano de internacionalização do café gourmet da companhia prevê a abertura de cafeterias próprias no exterior em parceria com um sócio local. “Planejamos ter cafeterias na China em 2020”, diz Moscofian. Segundo ele, o mercado chinês é a menina dos olhos dos produtores de café por causa do grande potencial de crescimento. “O volume de consumo de café no mercado chinês vai ser gigante e beber café é sinal de status na China, de cultura ocidental.”

Obstáculos. Apesar do grande potencial de crescimento, Francis chama atenção para os obstáculos existentes às exportações do café torrado do Brasil. Segundo ele, existe uma sobretaxa de 35% sobre o grão processado vindo do País, o que encarece o produto. Para escapar dessa tributação, o grupo mineiro vai investir em duas torrefadoras instaladas fora do Brasil. Uma delas será na ilha caribenha de Antígua e a outra em Omã, na costa da Península Arábica. “Omã tem acordos bilaterais que facilitam a exportação”, diz Francis. A perspectiva é que as duas fábricas já estejam funcionando no final de novembro.

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