Eraldo Peres|AP
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Para Wall Street, Dilma mantém mandato, mas recessão vai avançar

Em encontro anual dedicados a mercados emergentes, em Nova York, investidores dizem que o pedido de impeachment deve dificultar o andamento das reformas, a economia deve piorar e o Brasil pode ser rebaixado mais uma vez

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2015 | 21h27

NOVA YORK - Bancos e economistas em Wall Street preveem que a presidente Dilma Rousseff deve seguir no governo em 2016, mas a economia pode piorar mais e o dólar deve superar o patamar de R$ 4,00. Reformas serão difíceis de avançar em meio à turbulência política e permanece a chance de um novo rebaixamento da classificação de risco brasileira, de acordo com representantes de bancos como Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan, Goldman Sachs, Citibank e Deutsche Bank que participaram do encontro anual da EMTA, associação com sede em Nova York que reúne operadores e investidores dedicados a mercados emergentes.

A visão sobre o Brasil em 2016 passada pelos participantes no evento, que reuniu mais de 200 pessoas, não foi nada animadora. O Bank of America, por exemplo, prevê que 2016 deve ser um ano pior que 2015, com a economia se contraindo 3,5%.

Nenhum dos presentes vê o dólar sendo negociado abaixo de R$ 4,00 no ano que vem e algumas previsões falam na moeda acima de R$ 4,50. “O Brasil parece estar em um poço de onde não se vê saída”, disse o estrategista da gestora Schroders Investment Management, Jim Barrineau. Nesta sexta-feira, 4, a Bolsa levou um tombo de 2,23% e o dólar encerrou o dia praticamente estável, cotado a R$3,7471.

No bloco do seminário destinado ao Brasil, a economista-chefe de pesquisa global do JPMorgan, Joyce Chang, começou a apresentação perguntando se os participantes acreditavam que Dilma ainda estaria na presidência no final de 2016. Com a ponderação de que o processo de impeachment será longo, tem desfecho imprevisível e pode ser influenciado por uma série de fatores, como o apoio da opinião pública, a economista e os outros participantes disseram acreditar, neste momento, na permanência de Dilma no Planalto.

Complexo. O economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, classifica a situação no Brasil como “extremamente complexa” e o País dá sinais de estar passando de uma recessão para uma depressão da economia. A previsão do banco é do PIB encolhendo 3,7% este ano e mais 2,3% em 2016, números, que segundo Ramos, podem já ser conservadores, pois a contração tem chances de ser ainda maior nos dois períodos. Ele ressaltou que já são nove trimestres consecutivos de queda do investimento, em uma média anualizada de 10%: “Isso é muito sério.”

O processo de impeachment, avalia Ramos, deve ser longo e provocar solavancos. “Não sabemos aonde este processo vai levar”, afirmou. Para o diretor do Barclays, Christian Keller, o cenário é que Dilma permanece no governo, mas a situação em Brasília está uma “bagunça”, que deve seguir em 2016.

Difícil ser otimista. “É muito difícil ser otimista no Brasil neste momento”, afirmou o economista responsável por mercados emergentes no Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, ressaltando que espera nova contração do PIB no ano que vem, ao redor de 2%. Ainda não há indícios de apoio popular ao impeachment, mas o economista avalia que isso pode ocorrer em 2016 com a piora de alguns indicadores, como a taxa de desemprego. Para ele, se o impedimento não ocorrer no primeiro semestre do ano que vem, dificilmente passaria, porque em seguida vem as eleições para governadores e deputados e o clima político muda. Para o câmbio, a previsão de Giacomelli é da moeda norte-americana em R$ 4,25 em dezembro.

O Bank of America Merrill Lynch está ainda mais pessimista com o Brasil. Além de previsão maior para a queda do PIB, o chefe do banco para renda fixa de emergentes, Alberto Ades, vê a moeda chegando R$ 4,50: “Estamos no lado mais pessimista do mercado, mas já vi previsões de o PIB brasileiro encolhendo 4% no ano que vem.”

Lava Jato. Um fator positivo para o Brasil no momento é o combate à corrupção, disse o gestor da Loomis Rolley, David Sayles, que administra US$ 200 bilhões. “Ajuda a ficar otimista com o longo o prazo”, afirmou ele, ressaltando que as investigações persistem, o número de presos aumenta e podem levar a uma “limpeza” no país.

No debate, Giacomelli, do Deutsche Bank, arrancou risos da plateia ao brincar que a expectativa é que os gastos em infraestrutura no Brasil aumentem no ano que vem, porque vai ser preciso construir mais prisões para abrigar tantos presos envolvidos em escândalos de corrupção.

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