Paraguai aceita inspeção de gado com suspeita de aftosa

O impasse entre o Brasil e o Paraguai com relação à investigação de suspeita de febre aftosa no país vizinho chegou ao fim, depois de quase 20 dias. Em reunião realizada na quarta-feira, no Rio de Janeiro, a pedido do governo brasileiro, com representantes dos países da Bacia do Prata (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia) o Paraguai concordou com a inspeção por uma comissão técnica, formada por representantes dos seis países, coordenada pelo Panaftosa (Centro Panamericano de Febre Aftosa), das propriedades onde há suspeita da doença, na localidade de Corpus Christi, na província paraguaia de Canindeyú. Esta comissão irá anaIisar documentos e coletar amostras dos animais com sintomas de enfermidade vesicular, que serão analisados pelo laboratório do Panaftosa. Os trabalhos da comissão começarão no dia 14 e deverão ser concluídos em, no máximo, 15 dias, segundo o diretor substituto do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza. A concordância do Paraguai com a investigação foi firmada em uma resolução assinada pelos representantes de cada país da Bacia do Prata presente à reunião. Os técnicos também concluiram que, ao contrário do que o Paraguai vinha afirmando, há suspeita é realmente de febre aftosa. Esta conclusão foi baseada no resultado de testes feitos em amostras coletadas junto a 460 animais localizados em propriedades de Corpus Christi pelo Serviço Nacional de Saúde Animal do Paraguai (Senacsa) e enviadas ao Panaftosa. Conforme a resolução assinada pelos seis países e pelo Panaftosa, dos 460 animais examinados, 10 apresentaram reação sorológica positiva. A investigação a ser feita pelo grupo técnico dirá se a presença do vírus nesses animais é provocada por vacina ou por um novo foco de aftosa, segundo Souza. O grupo técnico, além de coletar novas amostras dos bovinos e examinar a documentação veterinária já existente sobre o caso, irá identificar as propriedades envolvidas e suas relações de risco para os demais países. Enquanto não houver uma conclusão definitiva sobre o assunto, o Brasil continuará com a fronteira com o Paraguai fechada e com o ingresso de animais suscetívies à aftosa, produtos e subprddutos, proibido em território brasileiro. Também serão mantidas as barreiras sanitárias (físicas e móveis), assim como a presença de unidades das Forças Armadas nos municípios brasileiros do Mato Grosso do Sul e do Paraná considerados zonas de risco, pela proximidade com o Paraguai.

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