Paraguai dá a entender que deixará o Mercosul

Como se não bastasse o conflito entre o Uruguai e a Argentina por causa da construção de duas fábricas de celulose na fronteira entre ambos países, agora o Paraguai somou um novo componente que ameaça a unidade do Mercosul. A chanceler paraguaia, Leila Rachid, disse que o Mercosul não é o projeto que seu país deseja e deu a entender que o Paraguai quer abandonar o bloco regional "Hoje em dia, o Mercosul, tal como existe, não é o projeto que originalmente desejávamos ter em 91", afirmou a ministra referindo-se ao Tratado de Assunção, que criou o bloco. As declarações foram feitas logo após uma reunião entre Rachid e o presidente Nicanor Duarte. Segundo ela, o Mercosul "terá quer redefinir seu caminho" para atender as demandas das economias menores do bloco. Na última terça-feira, o presidente paraguaio também teceu alguns comentários críticos ao afirmar que o bloco vive um momento de "grande incerteza, com discursos que não batem com a realidade". Nicanor Duarte foi taxativo ao dizer que se a situação não mudar, "não tem sentido que o Paraguai permaneça no Mercosul". Para completar o recado do presidente, a ministra declarou um dia depois que "Paraguai vai continuar participando daquele bloco enquanto satisfaça seus interesses". O governo do Paraguai vem realizando seguidos ataques e críticas contra o Mercosul, principalmente contra o Brasil e a Argentina. Porém, essa foi a primeira vez que o presidente e sua ministra declaram abertamente a intenção de deixar o bloco.

Agencia Estado,

13 Abril 2006 | 14h46

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