Francisco Bosco/AE–16/5/2011
Francisco Bosco/AE–16/5/2011

Paraguai e Uruguai foram os primeiros a ser investigados

Desde maio, Secretaria de Comércio Exterior apura indícios de triangulação nas exportações de cobertores vindos dos dois países

Iuri Dantas / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Os métodos criativos dos exportadores chineses são assunto das autoridades comerciais brasileiras há anos, mas as críticas sempre apontaram para os países do Sudeste Asiático, sob a esfera de influência econômica da China. Apesar disso, a primeira investigação de triangulação aberta no Brasil teve como alvo os dois sócios menores do Mercosul, Paraguai e Uruguai.

Em maio, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento abriu investigação de "circumvention", como é conhecida, tecnicamente, a prática de triangulação de mercadorias. O alvo foi a exportação de cobertores pelos dois países. Sob o manto da união aduaneira, grande parte dos produtos da Argentina, Paraguai e Uruguai não pagam imposto para entrar no Brasil.

A concorrência com importados, tanto no mercado doméstico, quanto em outros países, tornou-se ainda maior após a crise desencadeada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008. O aumento do desemprego e outras dificuldades financeiras representaram uma queda no volume de compras dos países desenvolvidos.

Os Estados Unidos perderam para a China a posição de principal parceiro comercial do Brasil, enquanto a Argentina está na terceira posição. O superávit do País com os dois emergentes atingiu US$ 7,75 bilhões no primeiro semestre, enquanto a troca comercial com os EUA significou um déficit comercial para o Brasil de US$ 4,12 bilhões.

Protecionismo. Com a crise, veio o protecionismo. A Argentina, por exemplo, requer dos exportadores brasileiros uma licença que demora meses, violando regras da Organização Mundial de Comércio. O Brasil respondeu com a mesma exigência para carros de qualquer país. Como resultado, 40 mil veículos argentinos aguardavam nas aduanas para entrar em território brasileiro na semana passada.

As dificuldades forçaram o governo brasileiro a agir. Banco Central e Ministério da Fazenda tentam evitar a valorização do câmbio, há promessa de uma nova política industrial e foi criado um grupo de inteligência comercial na Receita Federal, para identificar problemas mais rapidamente. Apesar disso, o contrabando cresce quando o governo impõe restrições a importados.

Segundo Marco Antonio Peñas, da fabricante de alto-falantes Arlen, a sobretaxa de US$ 2,35 a cada quilo de equipamento importado da China não aumentou as vendas. "A gente sente um aumento muito grande do contrabando, e mesmo após a tarifa não conseguimos recuperar a participação de mercado."

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