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Paraguai não deixará o Mercosul "sob nenhum aspecto"

A chanceler do Paraguai, Leila Rachid, ressaltou que seu país não sairá do Mercosul "sob nenhum aspecto", por mais problemas que sofra o bloco comercial. O grupo é formado pela Argentina, Brasil e Uruguai. As declarações foram publicadas nesta terça-feira no jornal argentino La Nación, no qual Leila afirmou que o Paraguai só assinaria um acordo de livre-comércio com "um país desenvolvido" que lhe concedesse acesso a suas exportações agropecuárias e eliminasse subsídios a esse setor."Não vou assinar um acordo com países que, por um lado, pedem-me liberdade de comércio para entrar em meu mercado e que, como contrapartida, subvencionam minhas produções majoritárias", explicou.A chanceler paraguaia excluiu assim a possibilidade de seu país pedir permissão ao Mercosul para negociar um acordo bilateral com os Estados Unidos, como se conjeturou nas últimas semanas. "Podemos fazer críticas, mas prefiro seguir em um Mercosul que se aperfeiçoe a sair para algo que é uma incógnita", especificou.Leila sustentou que todos os membros sabem "que é preciso aperfeiçoar" o bloco sul-americano, embora para isso tenham que "avançar em algo e recuar em outra coisa".Conflito A chanceler disse que o conflito entre Argentina e Uruguai pela instalação de duas fábricas de celulose de capital europeu em território uruguaio "não é uma problemática do Mercosul, é uma questão bilateral"."Embora sintamos todos, é coisa da Argentina e do Uruguai. Mas, cedo ou tarde, virá a solução: Deus queira que seja o mais rápido possível", acrescentou.A ministra paraguaia negou que este conflito afastará o investimento estrangeiro da região, como alertou o comissário de Comércio da União Européia, o britânico Peter Mandelson, no fim do ano passado, quando aumentaram as disputas entre argentinos e uruguaios.Suspensão Há dez dias, a Argentina pediu à Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, que ordene a suspensão das obras nas fábricas de celulose que as empresas finlandesa Botnia e espanhola Ence constroem nos arredores da cidade uruguaia de Fray Bentos até que se faça um novo estudo de impacto ambiental, ao que o Uruguai se opõe.Os projetos de ambas as empresas, que significam investimentos de US$ 1,8 bilhão, os mais altos na história do Uruguai, são rechaçados pelos argentinos por considerarem que causarão um grave dano ao meio ambiente.

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