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Paraíso alemão atrai desempregados

Schwäbisch Hall, de 37 mil habitantes, queria contratar estrangeiros, mas não esperava fazer tanto sucesso entre os portugueses

MARIA HUBER , SPIEGEL ONLINE , O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h05

Quando Guido Rebstock chegou ao seu escritório em 8 de fevereiro, ligou o computador e checou seu e-mail, mal pôde acreditar no que viu. Quase 2,5 mil pedidos se acumulavam na sua caixa de mensagens. Isso da noite para o dia, e todos de Portugal.

Rapidamente o chefe da agência de emprego de Schwäbisch Hall, pequena cidade ao sul da Alemanha, entendeu por que estava sendo inundado com tantos pedidos. Pouco tempo antes, autoridades municipais convidaram sete jornalistas de países atingidos pela crise do euro, incluindo Grécia, Itália, Espanha e Portugal, que durante dois dias foram informados sobre oportunidades de emprego na região.

Pouca coisa ocorreu depois que os jornalistas - um grego e outro espanhol - publicaram matérias sobre o assunto. Mas a jornalista Madalena Queirós provocou um maremoto em Portugal. Mais de 10 mil portugueses enviaram solicitações de emprego a empresas e à agência de emprego da cidade.

"Como era o único artigo disponível online, a notícia se espalhou como um incêndio no Facebook", explicou Rebstock. Milhares de pessoas leram o artigo no Facebook e os pedidos de emprego continuam inundando a caixa de mensagens de Rebstock.

Apesar de a campanha ter se concentrado em trabalhadores especializados, a agência recebeu candidaturas para todo tipo de emprego. Faxineiros e operários de construção estão se candidatando, junto com engenheiros e especialistas em tecnologia da informação.

O que escreveu a jornalista no jornal Diário Econômico que levou tantos portugueses a achar que Schwäbisch Hall seria o céu na terra? O artigo, publicado com o título "Saiba que uma cidade alemã quer empregar portugueses", prometia aos portugueses desempregados uma vida numa cidade aprazível.

De acordo com o artigo, uma pessoa conseguiria ganhar em média 2,5 mil (US$ 3,5 mil) por mês, as crianças frequentariam a escola gratuitamente, e a matrícula na universidade tinha sido recentemente abolida graças ao governador do Estado, do Partido Verde. Além disso, a pequena cidade não tinha congestionamentos, nem nas horas de pico.

Schwäbisch Hall está a 60 quilômetros a nordeste de Stuttgart, tem 37 mil moradores, mas a região rural tem 188 mil. Atualmente 3,5 mil pessoas estão desempregadas, o que se traduz numa taxa de desemprego de 3,4% na cidade. Que tem cerca de 2,5 mil cargos não preenchidos, segundo a agência de emprego.

Para pessoas de países atingidos pela crise do euro, onde o mercado de trabalho está deprimente, parece um sonho. A Espanha recentemente anunciou novo recorde de 4,7 milhões de desempregados. Na Grécia, a perspectiva de empregos é catastrófica, levando um número cada vez maior de pessoas às ruas. Em Portugal, a situação não está melhor. Nesse cenário, Schwäbisch Hall parece uma saída atrativa.

Alguns dias depois da primeira reportagem, novo artigo foi publicado indicando que mais de duas mil pessoas já haviam se candidatado e a cidade procurava mais trabalhadores. E novamente a agência de emprego foi inundada por e-mails, assim como muitas empresas na cidade.

"Eles escreveram e-mails para qualquer endereço no nosso website. Inacreditável!", disse Robert Gruner, porta-voz da prefeitura. De fato, parece que a reportagem de Madalena Queirós despertou esperanças. Segundo seu artigo, "a agência de emprego da cidade promete fazer todo o possível para encontrar uma vaga para você".

A campanha da cidade para atrair estrangeiros custou em torno de US$ 13,1 mil ou cerca de 1 para cada pedido. Depois de o artigo se tornar viral na internet, Rebstock teve de designar oito funcionários para lidar somente com a invasão de e-mails. Eles precisaram fazer hora extra.

Rebstock fala com prudência sobre os "sucessos iniciais". Dois motoristas, um pintor e dois trabalhadores de hotelaria conseguiram emprego até agora. Mas, à medida que outras candidaturas são analisadas, as esperanças de muitas pessoas se transformam em frustração.

Na ausência de um grande sucesso da iniciativa, a prefeitura da cidade procura reduzir a sua importância. "Não esperávamos tanta repercussão", diz o porta-voz. "Se fizermos tudo novamente, será de uma maneira mais coordenada." / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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