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Paralisação de caminhoneiros perde força no segundo dia

Greve atingiu oito Estados, com 24 paralisações parciais de rodovias; manifestantes garantem que movimento continua nesta quarta-feira

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2015 | 21h35

SOROCABA - Depois de bloquear a saída de caminhões de combustível do terminal da Petrobrás, em Paulínia, interior de São Paulo, e travar algumas das principais rotas de escoamento de cargas do País, o protesto dos caminhoneiros contra o governo da presidente Dilma Rousseff perdeu força nesta terça-feira, 10, segundo dia do movimento. Balanço da Polícia Rodoviária Federal às 17 horas, apontava 24 paralisações parciais em rodovias de oito Estados. Na segunda-feira, a mobilização havia somado 44 bloqueios em 14 Estados.

Mesmo assim, lideranças do Comando Nacional do Transporte (CNT), organizador dos protestos, informavam que as manifestações continuam hoje. Na manhã de ontem, mesmo com a ameaça de multas para os veículos parados nas rodovias, as paralisações continuaram. Alguns motoristas chegaram a ser multados em Santa Catarina. Ao meio-dia, a PRF contabilizou 34 bloqueios em estradas federais, mas havia pelo menos outros seis em rodovias estaduais.

Sem apoio de federações e sindicatos, os organizadores passaram a depender das redes sociais para mobilizar a categoria. No Rio Grande do Sul, depois de conflitos durante a madrugada entre manifestantes e caminhoneiros, a mobilização esfriou. Em Três Cachoeiras, litoral norte, o motorista de um caminhão foi apedrejado e tombou o veículo quando tentava furar o bloqueio. Outros dois caminhões foram depredados na cidade de Camaquã.

De manhã, a Justiça estadual deu liminar em ação do Ministério Público para a retirada do bloqueio na RS-122, entre Caxias do Sul e Farroupilha, na Serra Gaúcha. Em caso de interdição, será aplicada multa de R$ 50 mil ao Comando Nacional do Transporte. Notificados, os caminhoneiros que estavam no local se dispersaram. A polícia reforçou o policiamento, mas a chuva que caía no Estado contribuiu para reduzir as manifestações. No final da tarde, restavam cinco pontos de bloqueio, sem interdição de pistas.

No Estado de São Paulo, de manhã, cerca de 120 caminhoneiros bloquearam parcialmente a rodovia Zeferino Vaz (SP-332), acesso à Refinaria Planalto (Replan), em Paulínia, e caminhões que transportavam combustível ficaram retidos. O trânsito foi desviado para outras vias, mas houve congestionamento. Na capital, comboios de caminhoneiros voltaram a ocupar faixas da Marginal Tietê, Rodoanel e Rodovia dos Bandeirantes, rodando em baixa velocidade, sem interditar as vias. No interior, a Rodovia Raposo Tavares foi bloqueada em dois pontos no oeste paulista.

Frete. O empresário Cesar Paulo Philippsen, dono de uma frota de caminhões no noroeste do Rio Grande do Sul, aderiu à paralisação e recolheu os veículos. Segundo ele, o principal foco do movimento deve ser o preço baixo do frete. “Ficar em casa parado hoje é melhor do que viajar. Estamos trabalhando com frete no mesmo valor de 2003, mas com óleo diesel muito mais caro, além dos outros custos que também são maiores”, disse.

As paralisações atingiram rotas estratégicas para o transporte de cargas do País, como a BR-153, que escoa a produção de grãos do Mato Grosso, e a Fernão Dias, principal ligação entre São Paulo e Belo Horizonte, duas das principais regiões industriais do País.

A BR-285, que liga a serra e o planalto gaúchos à Argentina, integra a região ao Mercosul, e a BR-376, no Paraná, conhecida como Rodovia do Café, abastece também polos avícolas e de suínos no Estado e em Santa Catarina. Carregamentos com insumos para fábricas de ração pararam nos bloqueios. / COLABORARAM GABRIELA LARA, FÁTIMA LESSA, LEONARDO AUGUSTO, GUILHERME MAZIERO, CARMEN POMPEU, CÉLIA BRETA TAHAN, LUCAS AZEVEDO E JÚLIO CÉSAR LIMA

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