Clayton de Souza/Estadão
Greve dos caminhoneiros compromete parte das operações de transporte do Porto de Santos, o maior do País Clayton de Souza/Estadão

Paralisação de caminhoneiros afeta operações no porto de Santos

Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Transportadoras de Contêineres informou que as atividades em vários terminais seguem impedidas de atuar devido a manifestação promovida pelo sindicato que representa os caminhoneiros

André Borges, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 17h32

BRASÍLIA - A greve dos caminhoneiros, iniciada na segunda-feira, 1º, está longe de ter paralisado o País como prometiam os profissionais autônomos da categoria, mas passou a comprometer parte das operações de transporte do Porto de Santos, o maior do País.

A Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Transportadoras de Contêineres (ABTTC) informou, nesta quarta-feira, 3, que as atividades em vários terminais - sejam aqueles usados para armazenagem e reparo de contêineres vazios, ou ainda áreas para o despacho aduaneiro de exportação – “seguem impedidas de atuar devido a manifestação promovida pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam).

A associação acusa o movimento grevista de, inclusive, ter impedido que as empresas trabalhem utilizando as suas frotas próprias, para fazer a retirada de contêineres vazios e a entrega de contêineres cheios nos terminais portuários, “ocasionando uma série de prejuízos aos exportadores”.

"Há inúmeros relatos de nossos associados informando danos aos veículos que tentam desempenhar as suas atividades, forçando as empresas evitarem colocar seus veículos em operação, prejudicando ainda mais o escoamento das mercadorias de exportação”, afirma a ABTTC.

A associação declarou que reconhece “a legitimidade das reivindicações da categoria”, mas que “é primordial que estes atos não gerem prejuízos às empresas que necessitem manter as suas atividades” em funcionamento. “O Porto de Santos não merece ter a sua imagem maculada por movimentos extremos e desnecessários como os que estão ocorrendo com os transportadores autônomos de contêineres liderados por seus sindicatos representativos”.

O Ministério da Infraestrutura tem monitorado as manifestações desde o primeiro dia e não há, neste momento, registros de paralisações em rodovias, mas apenas no porto de Santos. As informações são de que cerca de 80% da estrutura de Santos opera normalmente e que 20% das embarcações estão sendo afetadas pela diminuição de volume, principalmente de contêineres.

No dia 1º de novembro, durante a madrugada, após a dispersão de manifestantes pela Polícia Militar de São Paulo no acesso ao Porto de Santos, foram registrados atos de vandalismo na rodovia que dá acesso ao porto. “Criminosos lançaram pedras em veículos que transitavam e danificaram um carro guincho da concessionária Ecovias. A Polícia Rodoviária Federal fez a escolta de cerca de 25 caminhões durante a noite evitando qualquer retenção na via”, informou o Minfra, na ocasião.

O ministério tem oferecido escolta para os comboios de caminhões de empresas que chegam ao local. Representantes da pasta devem se reunir hoje com as transportadoras para buscar uma forma de alinhar e reforçar a segurança dos que seguem para os terminais do litoral paulista.

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Caminhoneiros falam em manter greve; estradas seguem sem bloqueios

A interrupção das atividades está concentrada entre autônomos, sem adesão dos celetistas e empresas transportadoras

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 06h42

Mesmo com fraca adesão, caminhoneiros autônomos prometem manter a greve nacional iniciada na segunda-feira, em protesto contra a alta de preços do óleo diesel. “Continuamos a paralisação até o governo apresentar alguma resposta às demandas da categoria. A adesão está boa, dentro do esperado e em vários Estados. Há poucos caminhões rodando nas rodovias”, disse o presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Plínio Dias. A interrupção das atividades está concentrada, porém, entre autônomos, sem adesão dos celetistas e empresas transportadoras.

Balanço divulgado ontem pelo Ministério da Infraestrutura indicou que as rodovias federais e pontos logísticos estratégicos do País continuavam sem nenhuma ocorrência de bloqueio parcial ou total. Segundo o ministério, existia apenas um ponto de concentração no km 276 da BR-116/RJ (na rodovia Presidente Dutra), em Barra Mansa (RJ), sem bloqueio e sem abordagem a caminhoneiros que seguiam viagem.

Diante da proibição de interdições e bloqueios nas estradas, a greve nacional está restrita a manifestações às margens das rodovias e para veículos estacionados em postos de combustíveis. O governo federal se antecipou aos atos e obteve 29 liminares judiciais proibindo bloqueios nas estradas e em pontos logísticos estratégicos de 20 Estados.

“O movimento segue aqui em Ijuí (RS), apesar do efeito das liminares”, afirmou o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer

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Presidente do STF reverte decisão que havia liberado protesto de caminhoneiros nas estradas

Ministros não acolheram a argumentação da Abrava, que defendeu que as liminares conquistadas pelo governo contra a greve seriam de competência da Justiça do Trabalho, e não da Justiça Federal - onde tramitam os processos

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 16h49

BRASÍLIA  - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, reverteu nesta quarta-feira, 3, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) que havia liberado a ocupação de rodovias federais por caminhoneiros grevistas. Os motoristas autônomos tinham conseguido, na noite de terça, derrubar 11 das 29 liminares judiciais que impedem interdições de estradas, por meio de ação da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava). O governo, no entanto, recorreu ao STF e conseguiu suspender a determinação. 

O presidente da Corte relembrou de recente decisão da ministra Carmém Lúcia, que manteve na segunda-feira, a proibição do bloqueio de rodovias. Os dois ministros não acolheram a argumentação da Abrava, que defendeu que as liminares conquistadas pelo governo contra a greve seriam de competência da Justiça do Trabalho, e não da Justiça Federal - onde tramitam os processos.

Fux também destacou os apontamentos feitos pela União, de que uma eventual ocupação de rodovias causaria grave risco de prejuízos econômicos generalizados. "Há, ademais, pelas mesmas razões, risco à ordem e à saúde públicas consistente na possibilidade de desabastecimento de gêneros alimentícios e outros de primeira necessidade nas diversas cidades do país pela obstrução das interligações entre áreas de produção e de consumo", afirmou o presidente da Corte.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, a decisão do TRF-1, agora suspensa, havia gerado expectativa nas entidades grevistas de que os atos às margens das estradas iriam se acentuar a partir desta quarta. Até o momento, o movimento tem fraca adesão. 

A Abrava, o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) estão à frente da organização da paralisação. As principais reivindicações dos caminhoneiros são o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, mudança na política de preço da Petrobras para combustíveis e o retorno da aposentadoria especial a partir de 25 anos de contribuição, entre outros mais de dez itens.

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