Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Funcionários do Banco Central falam em greve para março, caso negociações não avancem. Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Paralisação de servidores do BC começa a impactar serviços não essenciais do órgão

Em movimento por reajuste e reestruturação de carreira, cerca de 50% do efetivo do BC, que tem 3,5 mil servidores, ficou de braços cruzados por quatro horas

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2022 | 17h05

BRASÍLIA - A paralisação parcial dos servidores do Banco Central na manhã desta quarta-feira, 9, modificou o funcionamento normal da autarquia, ainda que sem impacto significativo sobre o mercado. Em meio ao movimento por reajuste e reestruturação de carreira, cerca de 50% do efetivo do BC, que, no total, tem 3.500 servidores, ficou de braços cruzados entre 8h e 12h, conforme os sindicatos que representam a categoria.

Nesse período, o monitoramento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) de responsabilidade da mesa do BC em São Paulo foi movido temporariamente para Brasília, retornando à normalidade após 12h, quando terminou a paralisação, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast.

Conforme relatos, é procedimento padrão transferir o monitoramento de sistemas críticos do BC para a sede sempre que há qualquer evento que possa representar risco de interrupção dos serviços. Hoje, o evento foi a paralisação dos servidores, mas isso acontece também em outros casos, como risco de falta de energia.

Normalmente, o monitoramento das instituições financeiras é compartilhado entre Brasília e São Paulo e a transferência poderia criar uma espécie de sobrecarga em uma equipe para supervisionar as operações, embora boa parte do sistema já esteja automatizado e os servidores do BC atuem mais quando surgem problemas.

O efeito da paralisação dos servidores também foi notado em algumas divulgações rotineiras do BC. A publicação da Taxa Básica Financeira (TBF), do Redutor "R" e da Taxa Referencial (TR) só foi feita 12h01, 1 minuto após o fim da paralisação. Normalmente, ocorre no início do dia, logo após 9h.

Esses efeitos, embora sem impacto significativo no mercado, causam desconforto e são vistos como forma de pressão a favor das demandas do movimento dos servidores. Os sindicatos já tinham avisado que os serviços essenciais seriam mantidos durante a paralisação, mas que outros serviços e entregas poderiam atrasar no período.

Reajuste

A mobilização dos servidores do BC foi iniciada após a indicação do governo federal de que só atenderia as demandas salariais das categorias policiais. O Orçamento de 2022 foi sancionado com a previsão de R$ 1,7 bilhão para reajuste do funcionalismo, negociado para atender os policiais, mas o aumento efetivo depende de atos do Poder Executivo. A sinalização dada às categorias de segurança gerou insatisfação nas outras categorias. 

No BC, o movimento por reajuste e reestruturação de carreira tem crescido. A paralisação de hoje foi a segunda da categoria este ano e, desde a semana passada, o risco de efeitos do movimento sobre divulgações do BC nesta manhã já era comentado nos bastidores.

Hoje, diversas reuniões previstas para o período da manhã foram adiadas para tarde, em mais um sinal de que a adesão ao movimento tem crescido.

Mais cedo, em nota, o Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal) afirmou que a paralisação foi um sucesso e que os servidores do BC devem cruzar os braços novamente no dia 24 de fevereiro. Caso as negociações não avancem até lá, a categoria vai passar a discutir uma greve a partir de 9 de março. Na mesma data, seriam entregues os cargos de comissão. As entidades contabilizam adesão de cerca de 2 mil servidores à lista de entrega de cargos e de não-assunção das comissões.

O Sinal também informou que já houve sinalização de nova reunião com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, na próxima semana, sem data ou hora definida ainda. No último encontro, as entidades que representam os funcionários do BC relataram que houve avanços em relação às demandas de reestruturação de carreira, mas que havia "jogo duro" para reajustes. O movimento defende simetria no tratamento dado aos servidores do BC ante o reajuste sinalizado para os policiais federais.

Questionado sobre a alteração no monitoramento do SPB e do atraso nas divulgações, o BC afirmou que não irá comentar o assunto.

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Sindicato de servidores do BC diz que paralisação foi um 'sucesso' e marca outra para 24/02

Paralisação virtual ocorreu na manhã desta quarta-feira; segundo o sindicato, a adesão foi de mais de 50% de todo o efetivo do órgão, que tem 3.500 servidores

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2022 | 12h34

BRASÍLIA - O Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal) afirmou que a adesão à paralisação virtual de hoje foi um sucesso, com adesão de mais de 50% de todo o efetivo do órgão, que tem 3.500 servidores. A paralisação estava marcada para entre 8h e 12h, mas sem atos presenciais. O sindicato também já tem indicativo de nova paralisação parcial no dia 24 de fevereiro.

“Para a nova paralisação no BC de 24/2, queremos adesão de no mínimo 70% dos servidores e no mínimo 70% de adesão a listas de entrega e de não-assunção das comissões (alguns serviços poderão ser interrompidos, mas não podemos dizer ainda quais, pois isso atrapalharia a organização do movimento”, disse, lembrando que não há intenção de prejudicar serviços essenciais. 

Segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad, já houve sinalização de nova reunião com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, na próxima semana, sem data ou hora definida ainda. No último encontro, as entidades que representam os funcionários do BC relataram que houve avanços em relação às demandas de reestruturação de carreira, mas que havia “jogo duro” para reajustes. O movimento defende simetria no tratamento dado aos servidores do BC ante o reajuste sinalizado para os policiais federais.

“Já demos um recado claro ao Governo: reajuste agora ou greve em março!”, disse Faiad, referindo-se ao dia 9 de março, quando também aconteceria a entrega de cargos de comissão. O sindicato contabiliza que cerca de 2 mil servidores já assinaram as listas de entrega de cargos ou não-assunção.

A mobilização dos servidores do BC foi iniciada após a indicação do governo federal de que só atenderia as demandas salariais das categorias policiais. O Orçamento de 2022 foi sancionado com a previsão de R$ 1,7 bilhão para reajuste do funcionalismo, negociado para atender os policiais, mas o aumento efetivo depende de atos do Poder Executivo. 

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