Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Paramos de sair para comer fora e passear'

Com o desemprego, casal corta despesas e até festa de aniversário da filha é suspensa

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2015 | 16h00

Desde o início do ano, a vendedora Maria Aziel Pereira de Lima e seu marido, Alexandre Gimenes, vinham fazendo malabarismos e cortando despesas para fazer as contas da casa fecharem: mudaram a filha da escola particular para a pública, reduziram o pacote de TV a cabo, renegociaram as dívidas do cartão de crédito. Não foi o suficiente: Maria, de 44 anos, foi demitida da loja na qual trabalhava havia oito anos – e agora a família vai ter de apertar ainda mais os cintos.

“Para nós da loja, o mercado já começou a ficar ruim desde antes da Copa do Mundo. Como trabalhamos com comissão, a crise fez com que nosso salário caísse muito”, conta ela, que trabalhava como vendedora de uma loja de móveis e decoração. “A demanda vem diminuindo e as empresas são obrigadas a demitir”, afirma. 

Segundo o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, só na sede da instituição, localizada no centro da capital paulista, são realizadas mais de 12 mil homologações por mês.

Orçamento. Sem o salário de Maria Aziel, que era em média de R$ 2 mil por mês, a situação da família fica complicada: o marido recebe R$ 3,8 mil, mas paga duas pensões. “Nos sobra cerca de R$ 1,8 mil, mas os gastos fixos são de R$ 1,3 mil, já que só o aluguel é R$ 800”, afirma ele.

O casal, que mora em Jardim Amália, zona sul de São Paulo, também está pagando as dívidas do cartão de crédito, que foram parceladas em 12 vezes. A parcela de um cartão é R$ 295; a de outro, R$ 195. 

“Pelo menos nós negociamos e vamos quitar no ano que vem, pois ficar no rotativo é o pior que se pode fazer. O juro é absurdo e você fica sufocado”, diz Maria Aziel. “E a primeira coisa que eliminamos foi usar o cartão de crédito para pagar alimentos, pois tínhamos esse costume”, conta ela. “Outro ponto foi cortar na diversão: paramos de sair para comer fora e passear, por exemplo.”

Pé no freio. Com a recessão e a queda no salário, Maria, que trabalha no comércio desde os 12 anos, também teve de deixar de lado os cursos que fazia para investir em sua profissão. “Como trabalho na área de decoração, de tempos em tempos procuro fazer cursos para me atualizar. Mas este ano eu não fiz nenhum”, diz.

Agora, com a demissão, a família pretende segurar ainda mais nas compras. “Infelizmente, isso também afeta a minha filha. No ano passado fiz uma festa de aniversário para ela, e neste ano não vou fazer”, diz Maria Aziel. As viagens também estão fora de cogitação. “Em feriados, a gente costumava viajar para a praia, como Santos ou Peruíbe. Agora não dá mais, pois mesmo um bate-volta envolve gastos.”

Tentando equilibrar as contas a todo custo, o casal está preocupado. “Nunca estivemos em uma situação tão ruim como essa. Com a crise, tudo piorou de uma vez. Mas vou lutar por um outro emprego”, diz Maria.

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