Paraná contestará laudo sobre aftosa; governo descarta abate

O governo do Paraná deverá contestar "diplomática, administrativa e, se necessário, até juridicamente" o diagnóstico do Ministério da Agricultura sobre a existência de um foco de aftosa no Estado. A afirmação foi feita hoje pelo vice-governador e secretário de Agricultura, Orlando Pessuti.Ele presidiu uma reunião do Conselho Estadual de Sanidade Animal (Conesa), que deverá decidir que atitudes o governo do Paraná deverá tomar após o anúncio do Ministério da Agricultura. Pessuti, no entanto, já adiantou: a hipótese de abate ou sacrifício dos mais de 2 mil animais da Fazenda Cachoeira, apontada como foco da doença, está descartado. "Temos de aguardar a confirmação da presença do vírus, o que não foi feito até agora", disse.Sindicato defende abateOpinião contrária tem o presidente do Sindicato da Carne do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar. Ele afirmou que o abate dos animais é necessário para que o Paraná supere mais rapidamente os embargos que serão impostos por causa da confirmação, pelo Ministério da Agricultura, de que o Estado tem um foco da doença.Se houver o abate, em seis meses as restrições à carne paranaense serão suspensas; do contrário, o embargo irá se estender por um ano e meio, lembrou Salazar, citando as recomendações a Organização Internacional de Saúde Animais (OIE).Médico contesta laudoO médico veterinário Amauri Alfieri, doutor em virologia animal da Universidade Estadual de Londrina, suspeita do laudo do Ministério da Agricultura que confirmou a presença da aftosa no Paraná. O foco da doença, segundo o Ministério, está na fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira, onde 170 animais - dos 2.210 da propriedade - foram adquiridos em Eldorado, foco da doença no Mato Grosso do Sul."Não houve um exame definitivo", disse Alfieri, segundo quem o parecer do Ministério baseia-se em resultados de exames sorológicos, sem que tivesse sido realizado o Pro-bang.Os exames, reconhece o veterinário, confirmaram alterações sorológicas em 20% dos animais suspeitos, o que, na sua avaliação, indica que eles podem ter tido contato com portadores do vírus, mas não comprova que sejam portadores da doença.

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