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Paraná fechará divisa para ter novo status sanitário

Estado busca o reconhecimento do Ministério da Agricultura e da Organização Internacional de Saúde Animal

BroadcastAgro, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2018 | 05h00

O Paraná vai fazer o fechamento sanitário de divisas territoriais, principalmente com Mato Grosso do Sul, para se tornar em 2021 área livre de febre aftosa sem vacinação. A ideia já foi incorporada pelo governador eleito Ratinho Júnior (PSD), que deseja encerrar a imunização obrigatória de bovinos no primeiro semestre de 2019. “O Paraná recebe muitos bois de Mato Grosso do Sul para engorda antes do abate, então vamos criar barreiras para impedir esse trânsito, pois não poderemos ter animais vacinados no Estado”, reforça. Após deixar de vacinar, os paranaenses terão de buscar o reconhecimento do novo status sanitário pelo Ministério da Agricultura e, em seguida, pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE).

Aposta nos suínos. Tornar o Paraná área livre da doença sem vacinação visa a conquistar mercados internacionais. E nem tanto para a carne bovina, pois o rebanho local é pequeno, mas para suínos. Países que pagam mais pela carne de porco, como Japão e Coreia, exigem esse status sanitário. Investimentos bilionários estão sendo feitos no setor paranaense. “Entre eles está o da Frimesa, de R$ 2,5 bilhões, para a construção da maior planta de abate e processamento de suínos da América Latina”, diz Ratinho Júnior. 

Atrativo. O grupo GPA, das redes Pão de Açúcar e Extra, começa a vender nesta segunda-feira carne suína moída, estratégia para estimular a demanda. Em 2018, as vendas de cortes suínos pelo grupo cresceram dois dígitos por mês, conta o gerente comercial do GPA, Rafael Monezi. Um atrativo da versão moída é o preço, mesmo sendo preparada com cortes nobres, como miolo da paleta e pernil, em média 25% menor que o da bovina. Por ora, apenas lojas Pão de Açúcar do Estado de São Paulo comercializarão o produto. A partir do segundo semestre, supermercados da marca no Rio de Janeiro e no Paraná devem começar a oferecer a novidade. 

Azedou. As exportações brasileiras de suco de laranja recuaram 21% em volume e 16% em receita nos quatro primeiros meses da safra 2018/19, julho a outubro. É o que mostrará levantamento a ser divulgado nesta segunda-feira pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Os Estados Unidos, que haviam impulsionado as vendas da bebida na safra passada, agora estão recuados: compraram 42% menos, um total de 56,75 mil toneladas, o que derrubou a receita em 36%, para US$ 107,8 milhões. Segundo a CitrusBR, é porque a Flórida, principal produtor norte-americano, elevou a oferta de suco em 71% na atual safra. 

Tanque cheio. Além da retração no mercado norte-americano, outro fator para a queda nas vendas do produto está nos estoques. A CitrusBR diz que na safra anterior indústrias recompuseram estoques globais, aproveitando a oferta da fruta. Os tanques foram praticamente zerados há duas safras, a 2016/2017, com a baixa oferta de laranja no Brasil.

Dobrando a meta. A Verde Agritech, que em agosto inaugurou em São Gotardo (MG) fábrica de um fertilizante fosfatado ainda pouco usado no Brasil, o siltito glauconítico, foi surpreendida pela demanda. Tanto que foi preciso limitar o volume comercializado, conta Cristiano Veloso, presidente da empresa. “Devemos fechar o ano produzindo 40 mil toneladas, mas poderíamos ter vendido três ou quatro vezes mais se tivéssemos condições.” O siltito é concorrente do cloreto de potássio (KCl), um dos mais usados por produtores brasileiros, mas pode ser aplicado menos vezes e contém mais de 70 nutrientes para o solo.

Mãos à obra. A receptividade ao produto fez Veloso rever seus planos de investimento. Inicialmente, a previsão era dobrar a capacidade da planta, de 200 mil toneladas anuais, no segundo semestre de 2019. Agora, o plano é quadruplicar esse número e começar 2020 com uma produção de 800 mil toneladas. A Verde AgriTech é abastecida pela maior mina de potássio do Brasil, localizada em São Gotardo. Seus maiores clientes são produtores de café, soja, milho e cana. 

Na paralela. Veloso também acaba de tirar do papel o Verde Marketplace, plataforma online que vai conectar fazendeiros interessados em negociar diretamente com varejistas. Para ser vendido pelo marketplace, o alimento precisa se enquadrar em ao menos uma de quatro categorias: livre de cloreto, rico em nutrientes, captura de CO2 ou orgânico. O uso do adubo da Verde AgriTech, com mais nutrientes e sem mistura com cloro, que reduz a captura de gases de efeito estufa, contribuirá para obter o “selo”. 

Raio X. A startup Sensix, que fornece informações agrícolas a partir de imagens feitas por drones, deve chegar a 2019 com 200 mil hectares de soja monitorados e 150 mil hectares de cana-de-açúcar. Na safra 2017/2018, cobriu 50 mil hectares de soja; no segmento de cana, só começou a atuar em maio. “Queremos fazer pelo menos 1 milhão de hectares por ano, dentro de dois a três anos”, projeta Carlos Ribeiro, diretor executivo. Para expandir as operações no Brasil e na América do Sul, onde tem operação piloto na Bolívia, a Sensix quer obter com investidores até R$ 2,5 milhões, depois de já ter captado R$ 600 mil.

COM LETICIA PAKULSKI

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