Paraná quer suspender vacinação contra febre aftosa

O Paraná quer suspender as campanhas de vacinação contra a febre aftosa do rebanho bovino do Estado. Na próxima segunda-feira, o secretário da Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, pedirá ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em Curitiba, autorização para suspensão da vacina e o reconhecimento do Estado como área livre de aftosa sem vacinação - o maior status sanitário existente. Se o pedido for aceito, as campanhas de vacinação, que ocorrem duas vezes por ano, serão suspensas a partir de junho de 2010, segundo a secretaria.

TATIANA FREITAS, Agencia Estado

26 de fevereiro de 2010 | 18h10

A iniciativa tem o apoio do setor privado. O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, afirma que uma "ampla averiguação" de que o Estado tem condições de garantir a sanidade do gado sem vacinação foi feita por governo e setor privado. "Queremos o status de livre de aftosa sem vacinação para que possamos ter nosso rebanho valorizado e para aumentar a atratividade de nossas exportações", disse.

Mas o representante das indústrias de carnes admite que suspender a vacinação implica riscos. "O Paraná precisa se igualar a Santa Catarina, mas sabemos que existem riscos, especialmente porque o Estado faz fronteira com o Paraguai e precisamos controlá-la", afirmou.

Santa Catarina é o único Estado brasileiro livre da aftosa sem vacinação, mas tem um rebanho menor, de apenas 4 milhões de cabeças de bovinos, aproximadamente. O rebanho do Paraná, segundo Salazar, estaria em torno de 9,5 milhões de cabeças, aproximadamente 5% do rebanho nacional, estimado em cerca de 190 milhões de cabeças.

O Paraná registrou focos de febre aftosa em 2005. O vírus da doença teria chegado ao Estado por um animal proveniente de Mato Grosso do Sul, que também faz fronteira com o Paraná. O gado sul-mato-grossense, por sua vez, teria sido contaminado por animais contrabandeados do Paraguai. Na época, os dois Estados brasileiros aplicavam a vacina e, por essa razão, a doença ficou restrita a casos isolados.

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