Parcela da dívida cambial cai, mas governo não vê tendência

Apesar da diminuição da parcela da dívida interna atrelada ao dólar, o governo não vê neste movimento uma tendência. Desde maio, quando a posição da dívida em dólar atingiu o pico de R$ 17,99 bilhões (1,8% da dívida interna), esse indicador foi caindo até atingir R$ 14,21 bilhões (1,34%) no mês passado."Não me oponho a que identifiquem uma tendência nesse indicador. Mas eu não identifico uma tendência de redução na posição ativa em câmbio", disse o chefe do Departamento de Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Ivan de Oliveira Lima, que também diz não identificar tendência de o BC fazer uma rolagem menor da dívida, o que reduziria a oferta de papéis indexados em moeda norte-americana.Ele explicou que essa diminuição da dívida em dólar pode ser explicada por diversos fatores que influenciam a demanda do mercado pela rolagem dos papéis cambiais que vencem. Em setembro, por exemplo, a diminuição da dívida em dólar foi explicada pelo fato de que o vencimento de US$ 1,7 bilhão em títulos cambiais não foi rolado integralmente, tendo sido colocado somente US$ 1,5 bilhão. Essa diferença determinou a queda em relação a outubro.Segundo Ivan, o apetite dos investidores em setembro foi influenciado pelo nervosismo no mercado por conta de notícias negativas sobre a economia da Turquia, declarações da direção do Federal Reserve da Filadélfia e também pelo escândalo do dossiê Vedoin no Brasil. Assim, a taxa para a rolagem dos títulos saltou de 13,83% em 18 de setembro para 14,30% no dia 21, reduzindo o interesse dos investidores. Em outubro, a posição da dívida em câmbio deve ter nova queda, já que no início do mês o BC rolou apenas metade dos US$ 1,67 bilhão de títulos cambiais que venceram. Lima informou ainda que os resgates de instrumentos cambiais (títulos e swaps) realizados de janeiro a outubro somaram US$ 10,4 bilhões.

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