Parcela em ações tem ajuste fino

Há fundos que reduzem o risco conforme o poupador envelhece

Mariana Segala, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

A recomendação dos consultores aos investidores individuais - de reduzir, de acordo com o avanço da idade, o porcentual de recursos concentrado em aplicações de renda variável - começa agora a ser posta em prática nos planos de previdência privada. Ainda novidade no Brasil, os fundos de aposentadoria do tipo "ciclo de vida", ou life cycle funds, procuram aumentar os rendimentos com investimentos em ações numa fase em que o poupador ainda é jovem. Mas a quantidade de ações na carteira passa por redução gradual até o momento previsto para a aposentadoria.A idéia é reproduzir no fundo do plano de previdência a distribuição dita "ideal" da carteira de investimentos de uma pessoa ao longo da vida: mais agressiva na juventude, ela se torna progressivamente mais conservadora à medida que o tempo passa. "De uma forma muito mais disciplinada", diz o diretor de Produtos da Icatu Hartford, Luciano Snel, que inaugurou a modalidade em planos corporativos brasileiros no fim de 2005. Isso porque a realocação dos recursos é feita automaticamente. "O plano fica no piloto automático", comenta o executivo. Até agora, 45 empresas aderiram ao produto.No varejo, a modalidade chegou ao País pela Brasilprev, que lançou em agosto o primeiro produto desse tipo para investidores individuais. "A gestão é periódica", explica o diretor de Produtos e Mercados da Brasilprev, José Eduardo Vaz. A oferta desse tipo de plano procura compensar, segundo o executivo, a falta de tempo dos participantes para alterar, por conta própria, a composição da carteira dos planos tradicionais de previdência.Pesquisas feitas pela Brasilprev apontam que mais de 80% de seus clientes não dispõem de tempo nem de experiência para gerir os recursos do plano. "Nos planos compostos comuns, o participante entra e permanece no mesmo perfil o tempo todo", afirma Vaz. "Se estiver carregado de ações perto da data de aposentadoria, pode ter uma perda grande."O produto da Brasilprev, oferecido tanto na modalidade PGBL quanto na VGBL, prevê três datas-alvo, com diferentes dosagens de investimento em ações. Para quem pretende se aposentar por volta de 2040, o fundo aplica, inicialmente, entre 45% e 49% dos recursos em papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O porcentual cai e fica entre 34% e 42% em carteiras de poupadores com aposentadorias programadas para 2030; e entre 20% e 30% nos planos com data-alvo em 2020. A composição é semelhante nos planos da Icatu Hartford, que têm um vencimento a mais (2010).A revisão dos investimentos nos planos da Icatu é anual e a aplicação em ações tem como objetivo superar a rentabilidade do Índice Brasil, que reúne as 100 ações mais negociadas na Bolsa paulista. Já nos planos da Brasilprev, o alvo é o retorno de acordo com a valorização do Índice Bovespa (Ibovespa), o mais representativo da Bolsa.A estratégia pretende levar a uma forte expansão do saldo acumulado, embora deixe o plano mais exposto às oscilações do mercado de ações. Cálculos elaborados pela Brasilprev para planos de 30 anos de acumulação apontam que um incremento de apenas um ponto porcentual na rentabilidade anual do fundo de previdência aumenta 20% o saldo acumulado no fim do período. Se o retorno aumentar quatro pontos porcentuais ao ano, o crescimento do saldo chega a 110%.

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