R$ 1,57 bi

E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Parcela extra para alguns setores é aberração, diz Afif

'O problema não é por setor, é generalizado. Não há como diferenciar trabalhador desempregado'

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

24 de março de 2009 | 13h59

O secretário do Emprego em São Paulo, Guilherme Afif Domingos, qualificou de "aberração" a iniciativa do governo federal em ampliar o seguro-desemprego de cinco para até sete parcelas nos setores mais atingidos por demissões depois do agravamento da crise financeira internacional. "O problema não é por setor, é um problema generalizado. Não há como diferenciar trabalhador desempregado", criticou.

 

Veja também:

linkMais de 100 mil terão parcela extra do seguro-desemprego

linkSão Paulo acumula 38.771 vagas fechadas em 2009

 

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta terça-feira, 24, que 103.707 trabalhadores que foram demitidos em dezembro do ano passado terão direito a receber duas parcelas extras do seguro-desemprego. Serão contemplados trabalhadores de 16 Estados e de 42 subsetores.

 

O secretário do Emprego de São Paulo ressaltou que é favorável à ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego, mas avaliou que a medida deve abranger todos os trabalhadores que perderam o emprego. "Desempregado de um setor tal tem privilégio e desempregado de outro não tem? Espera um pouco, desempregado é desempregado", protestou, acrescentando que se o trabalhador voltar para o mercado de trabalho, ele deixa de receber o seguro-desemprego.

 

Afif saiu em defesa do pacote anunciado recentemente pelo governador de São Paulo, José Serra, o chamado "PAC paulista", de ampliação de investimentos e desoneração de alguns setores. Afif avaliou que sem as medidas, a situação do emprego em São Paulo "podia ser pior" e aproveitou para criticar o governo federal. "O governo do Estado está trabalhando pesado no conceito de diminuir o custeio e aumentar investimento, exatamente na contramão do que está acontecendo no governo federal, que está aumentando o custeio e fatalmente terá que diminuir o investimento", disse, e emendou: "O PAC (do governo Lula) está empacado." Segundo ele, a política do Estado está no "caminho correto", mas necessitaria de amparo por parte da União.

 

O secretário do Emprego de São Paulo aproveitou também para cobrar a aprovação da lei do cadastro positivo, que, em sua análise, vai facilitar a concessão de crédito ao revelar o histórico de crédito dos consumidores. Ele acredita que, se aprovada, a lei pode ajudar a diminuir o spread, por eliminar parte do custo de risco contido no crédito. "O Congresso tem o projeto do cadastro positivo arrastado há quatro anos, como proposta do governo federal, o que mostra a total falta de empenho do governo na aprovação desta medida", atacou.

 

Afif também chamou atenção à dificuldade das pequenas e médias empresas em acessar o crédito, em razão do crédito ter sido "monopolizado" pelas grandes empresas após a crise de crédito internacional. Ele defendeu que o governo libere o restante dos depósitos compulsórios retido pelo Banco Central, e sugeriu que estes recursos sejam destinados especificamente para as pequenas e médias empresas. "Mas nós estamos vendo uma enorme lentidão do governo em tomar esse tipo de decisão, talvez acreditando que o pior já passou", criticou.

 

Ele prometeu que o Estado vai investir em pesquisa, para avaliar o cenário real do desemprego no Estado. Segundo ele, sua intenção é juntar a Fundação Seade/Dieese e a Fipe para criar um boletim com o cruzamento de todos os dados disponíveis. "Nós pretendemos estender isso em parceria com os Estados vizinhos que têm regiões metropolitanas", disse, citando Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
Crise FinanceiraEmprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.